domingo, 25 de outubro de 2015

Sebo na net

 
Rodeado de livros novos e antigos, Ronaldo Andrade vende seus livros,
também, na internet para seguir vida de sebista.
O dono do sebo mais antigo de Campina Grande, Ronaldo Andrade, 56 anos, teve que se reinventar para manter a loja e continuar trabalhando com aquilo que ama. Vendedor de livros usados há quase 30 anos, ele tem apostado na internet e diz que metade do faturamento resulta das vendas em uma plataforma online.
Ronaldo tem dois sebos no Centro da cidade, com um acervo de mais de 30 mil livros. O mais antigo fica na Praça Clementino Procópio. O outro, administrado pela esposa dele, está instalado na rua Getúlio Vargas. Ex-morador de Natal, no Rio Grande do Norte, o vendedor começou a trabalhar no ramo em Campina Grande na Rodoviária Velha e depois montou uma espécie de banca no 'Calçadão' Jimmy de Oliveira.
Após um tempo trabalhando no famoso 'Calçadão', o prefeito da época, Félix de Araújo Filho, o procurou para avisar que iria reformar o local e que ele teria que procurar outro lugar para vender seus livros. Foi aí que pensou na Praça da Clementino Procópio. A prefeitura concedeu o espaço e ele construiu a loja.
Ronaldo brinca e se intitula como um 'herói da resistência' por manter os sebos físicos. São diversos fatores pra comprar no sebo: preço, variedade de livros e principalmente as raridades. A diferença com os livros novos chega a 70%. Os clientes ainda frequentam a loja, mas o número de livros vendidos presencialmente diminuiu consideravelmente.
O comércio de livros online cresceu, há seis anos ele se rendeu e criou um cadastro em uma plataforma de vendas de exemplares usados. Em meio a livros do século 19, o vendedor trabalha em seu notebook e embala as encomendas. Outra estratégia para atrair clientes é o frete grátis em vendas a partir de R$ 20 em compras online. O público é muito diverso e de vários lugares do Brasil.
Além de admitir que a internet está tomando o mercado, o comerciante não acredita que e-books, os livros digitais, consigam muito espaço no mercado. Não houve a adesão que se imaginava. É antropológico: “O leitor quer pegar no no papel, sentir o cheiro. É como os filmes, existe DVD, mas a tradição de ir ao cinema continua", afirma.
Fonte: G1 PB 25/10/2015