sexta-feira, 22 de maio de 2015

Momento lírico 365

O BEM-TE-VI
(Karl Fern)

Ouço que da esquina da rua
Augurando pelo ocaso da lua
No clarear degradê do arrebol
Bravo bem-te-vi faz gracejos
Espalha gorjeados e solfejos
Expectando o nascer do sol.

Lembro a canção do rouxinol
De galos-de-campina no paiol
Concrizes com ricos coloridos
Canários cróceos em terreiros
Pássaros voejantes alpisteiros
Todavia extintos ou sumidos.

Veem-se telhados encardidos
Uns poucos verdes escondidos
Pingos duma paisagem carpida
Conquanto tal símbolo triste
Este rude cantar ainda resiste
Nesta rota liberdade tolhida.

Onde antes existia tanta vida
E todos gozavam sua guarida
Sumiram asa branca e o juriti
E nesta atormentada natureza
Restou pra minimizar a tristeza
O lamento do nobre bem-te-vi!


Eletricidade limpa produzida nos desertos

A necessidade de aumentar o uso de energias renováveis e opções como o vento e o efeito fotovoltaico são muito instáveis e, além disso, requerem grandes extensões de terreno, uma equipe de cientistas propõe o aproveitamento dos desertos para gerar eletricidade por meio do sol. A ideia, apresentada em Viena durante a reunião da União Europeia de Geociências, parte do fato que as zonas áridas são as que mais radiação solar recebem e, ao mesmo tempo, não competem pelo espaço com a agricultura ou outras atividades humanas. Seriam as chamadas plantas de Energia Solar de Concentração (CSP, na sigla em inglês), uma forma de aproveitar o poder do sol que, ao contrário das centrais fotovoltaicas com painéis solares, permite armazenar a energia e geram eletricidade até de noite.
Nas plantas de CSP, os raios do sol se concentram mediante espelhos em um receptor central que atinge enormes temperaturas, um calor que se utiliza para gerar vapor, que movimenta uma turbina e produz a eletricidade. As zonas desérticas são os lugares com maior irradiação solar. Quanta mais irradiação, o custo de gerar a atividade decresce drasticamente e ressalta-se, ainda, que uma grande parte da população mundial vive em um raio de 3.000 quilômetros de distância de zonas desérticas. O custo de gerar a eletricidade e transmiti-la até os grandes centros de demanda é de cerca de US$ 0,20 por quilowatt/hora. Uma quantidade que representa menos que o dobro do preço da energia produzida por uma fábrica de carvão que libera dióxido de carbono na atmosfera. Além disso, enquanto os preços da geração de energia mediante a queima de carvão ou em usinas nucleares estão subindo, o custo da CSP está diminuindo. Estados Unidos e China, os dois países juntos geram 40% de todas as emissões de gases do efeito estufa, responsáveis pela mudança climática.
Os pesquisadores garantem que o único impedimento seria a falta de vontade política para apostar neste tipo de infraestrutura.  Nos EUA, devido a questões de clima, os custos poderiam aumentar até US$ 0,44 por quilowatt/hora. Mas esse preço poderia reduzir-se à metade se as centrais CSP não tiverem que garantir permanentemente o total da provisão, mas contarem com o respaldo de outras fontes, como usinas de gás, usadas habitualmente para satisfazer a demanda quando há picos de consumo.
Em relação à manutenção, o acúmulo de pó nos espelhos, especialmente se a localização for um deserto de areia, seria o principal problema a solucionar, já que a eficiência do sistema diminui com a sujeira. A este respeito, a escassez de água para limpar os espelhos nos desertos seria a principal dificuldade a ser enfrentada.
Fonte: UOL