domingo, 10 de maio de 2015

Artigo: Teia de renda

Por Benedito Antônio Luciano
Cada um de nós é depositário de sua própria história e cada um de nós escreve a sua própria história. História e memória que começam no âmbito familiar e se propagam na medida em que, entre elos e anelos, o fio da vida é cruzado com outros fios, formando a teia de renda que é a nossa vida: esse conjunto de fios que se entrecruzam para transformar o eu em nós. 
Essas reflexões surgiram na minha mente quando me lembrei de uma cena familiar remota: a minha avó fazendo rendas, sentada diante de uma almofada, com as pernas cruzadas e lidando com extrema habilidade com os bilros.
A almofada, de formato cilíndrico, era feita de pano, sendo preenchida com raspas de madeira. Sobre a almofada era posto um papelão sobre o qual o desenho da renda era feito com pequenos furos.
Os bilros, ou birros, como ela pronunciava, eram feitos de pequenas hastes de madeira introduzidas no orifício de caroços de macaíba ou no orifício de pequenas peças de madeira torneadas.
A renda era feita a partir de novelos de linha. A linha era enrolada em torno das extremidades dos bilros e, orientando-se pelos alfinetes dispostos nos furos de papelão, a trama da renda ia tomando forma nas mãos da minha avó.
 Curiosamente, quando faltava alfinete, ela os substituía por espinhos de mandacaru (cardeiro) ou xique-xique, obtendo o mesmo resultado.
Quanta ciência tinha a minha avó! Além de saber fazer renda, ela conhecia rezas para curar certas doenças e, junto com as rezas, os segredos de ervas medicinais transmitidos pela ancestralidade afro-brasileira.
Pena não ter convivido muito tempo com a minha avó, pois ela morreu muito jovem, quando eu era adolescente. Mas, quando menino, gostava de acariciar a carapinha dela e de ouvir as histórias que ela me contava, enquanto pitava um cachimbo preto, do formato daquele de Sherlock Holmes.
Hoje, adulto, ao lembrar-me de minha avó fazendo renda, comecei a imaginar a vida como esse tecido raro, urdido pela mão invisível do destino. A vida como a trama de uma renda que pode ser interrompida a qualquer momento por falta de linha no novelo.

O autor é professor Doutor do Departamento de Engenharia Elétrica da UFCG e meu grande amigo!

Crime contra a humanidade

Fazendas pecuárias cruéis estão entupindo animais saudáveis de antibióticos para produzir mais carne de forma mais rápida e barata. Esta crueldade insana também está gerando superbactérias resistentes a remédios e que podem nos matar! 
Vários países europeus já reduziram drasticamente o uso de antibióticos. Agora os ministros da União Europeia estão negociando leis para fazer o mesmo em todo o continente.
A importância de reduzir a crueldade contra os animais ao mesmo tempo em que se poupa vidas humanas é algo tão óbvio que até mesmo o McDonalds prometeu que pararia de vender frangos que fossem criados com alguns dos antibióticos nos Estados Unidos. Entretanto, o lobby das indústrias farmacêutica e agropecuária trabalha a todo vapor para deter as novas leis europeias.
Dentre os ministros da União Europeia que se reunirão amanhã, muitos ainda não decidiram que posição tomar. Vamos fazer uma campanha com milhões de assinaturas pedindo a proibição do uso cruel, letal e abusivo de antibióticos na pecuária industrial e entregar a petição para cada um deles. Assim que vencermos na Europa, vamos levar a causa ao redor do mundo. Assine agora e compartilhe com todo mundo:
From Alex Wilks - Avaaz

Por exemplo, em 2007, nos EUA, 57,5% dos animais jovens receberam sucedâneo com inclusão de antibióticos como clortetraciclina ou oxitetraciclina/neomicina (ver figura), e tratamentos rigorosos contra doenças respiratórias e diarréias com um ou mais preparados com antibióticos (USDA, 2008).