segunda-feira, 4 de maio de 2015

Momento lírico 360

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Extrativismo na Reserva Chico Mendes

Há 27 anos, o líder seringueiro Chico Mendes morreu em defesa do ideal de preservação da floresta Amazônica. Hoje, além de toda a lembrança dessa luta, existe também uma reserva que leva o seu nome. É a maior reserva extrativista do país – quase um milhão de hectares – e abriga cerca de duas mil famílias. Criada em 1990, grande parte da área fica entre os municípios de Xapuri e Brasileia, no estado do Acre e é a maior reserva extrativista do país. Em boa parte da reserva, o extrativismo ainda é a principal fonte de renda das famílias.
O leite da borracha é matéria-prima das mais importantes da região e grande parte vem da Reserva extrativista. O preço do látex nunca esteve tão bom. Os seringueiros recebem R$ 8 por quilo de látex, 300% acima do preço praticado na produção dos seringais plantados em outras regiões do país. Há duas explicações para isso: valorizar o trabalho de quem extrai das árvores nativas na Amazônia e preservar a floresta.
Um grupo de 300 seringueiros da reserva já tem comprador certo e com a vantagem de nem precisar sair de casa para entregar o produto. A coleta dos seringais é levada para uma fábrica de preservativos em Xapuri. Ela processa 250 toneladas de látex por mês e 70% vêm da reserva extrativista.
Uma usina beneficiamento de castanha do Pará, ou castanha do Brasil, mais um produto extraído na região, também fica em Xapuri, perto da reserva, e pertence a uma cooperativa com dois mil produtores. Todo ano, na época da colheita, que vai de janeiro a abril, mais de sete mil toneladas chegam de vários pontos da floresta. A produção brasileira passa de 38 mil toneladas por ano. Só o estado do Acre responde por 35% e a colheita é feita na base do facão. Também se pruduz banana, abacaxi, ovos, galinha, etc e se consegue juntar renda pra sobreviver com a família”.
Mas outra atividade provoca muita polêmica: a extração de madeira. Há uma serraria que funciona legalmente dentro da unidade de conservação. O lugar tem um plano de manejo florestal aprovado pelos órgãos ambientais. No plano, algumas árvores são selecionadas para o corte, mas sempre deixando a maioria dos exemplares da mesma espécie em pé, que irão garantir a regeneração daquela área desmatada da floresta.
Os produtores criaram uma cooperativa que se encarrega da extração e comercialização para explorar o manejo, mas quem ganha mais dinheiro nessa história vive fora da reserva. O assentado recebe R$ 60 por metro cúbico de madeira e elas chegam ao mercado por R$ 1,2 mil a 1,3 mil.
O pior é que há invasores retirando madeira e também moradores de forma clandestina e não regulamentada. De acordo com dados do INPE, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, do início da sua criação até o fim de 2013, a Reserva Extrativista Chico Mendes perdeu 5% de sua cobertura vegetal, mais de 46 mil hectares.
Fonte: Revista Eletrônica AMBIENTE BRASIL (via newsletter)

OBS: Em 22 de dezembro de 1988, Chico Mendes foi assassinado quando saía na porta do quintal de sua casa. Os assassinos, um fazendeiro e o filho, foram condenados a 19 anos de prisão. Cumpriram a pena e hoje já estão em liberdade.

Brasil: campeão mundial de ambientalistas assassinados

Um relatório da britânica Global Witness afirma que o Brasil foi o país com o maior número de ambientalistas assassinados em 2014. Foram registradas 29 mortes no país.
Ao todo, foram documentadas 116 mortes de ambientalistas em 17 países. No ranking de violência contra os ativistas, o Brasil é seguido por Colômbia, com 25 mortes, Filipinas, com 15 mortes e Honduras, com 12 mortes. Para uma média global de mais de duas mortes de ativistas ambientais por semana, em 2014, o crescimento foi de 20% frente ao ano de 2013.
Honduras foi considerado o país mais perigoso para ativistas ambientais nos últimos cinco anos, com o maior número de mortes per capita. Foram 101 assassinatos entre 2010 e 2014. A maioria das mortes, segundo a organização, está relacionada a conflitos na agricultura, na mineração e no estabelecimento de usinas hidrelétricas. Cerca de 40% das vítimas eram indígenas.
Historicamente, tem havido uma distribuição de terra desigual na América Latina, o que tem causado conflitos entre companhias locais e estrangeiras e comunidades e os Governos na América Latina não estão tratando esse problema com seriedade. Os níveis de impunidade são muito altos e os perpetradores ficam livres.
(Fonte: G1)