sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Repetir não ofende...



Extinção do rinoceronte-branco

Este é o cenário da extinção de uma raça: joelhos fracos, esperma incapaz de fecundar, cistos nos ovários. Restam apenas cinco rinocerontes-brancos-do norte. Seu desaparecimento é inevitável. Cientistas e defensores do meio meio ambiente esperam que um dia eles possam ser “ressuscitados” de forma artificial através da fertilização in vitro. “Bebês rinocerontes de proveta”, que seriam implantados em fêmeas de outra subespécie. Mas antes disso, os rinocerontes brancos do norte morreriam um a um.
Os cinco representantes dessa subespécie, vítima dos conflitos que assolaram durante décadas sua zona endêmica, a África Central, continuam vivos graças ao zoológico tcheco de Dvur Kralove, mas estão muito próximos da extinção. O estabelecimento conseguiu seis exemplares nos anos 70 no Sudão e alguns conseguiram se reproduzir. O zoológico é proprietário dos cinco últimos rinocerontes-brancos-do norte, que estão divididos em três continentes. Um continua em Dvur Kralove, outro está no zoológico californiano de San Diego e o terceiro na reserva queniana de Ol Pejeta, próxima de seu habitat natural.
Todas as esperanças estão nos óvulos e no esperma congelados nos últimos anos, quando as possibilidades de ver uma reprodução natural foram diminuindo pouco a pouco. O último macho vive com duas fêmeas na reserva de 35.000 hectares no centro do Quênia e, aos 43 anos, superou a expectativa de vida dos rinocerontes e seu esperma já não é mais tão eficaz. De qualquer forma, uma fêmea de 25 anos, não pode ser fecundada, já que suas patas traseiras são muito fracas e, também, fracassaram todas as tentativas de fecundar a filhote de 14 anos. A de San Diego, já não é fértil e a Dvur Kralove, de 31 anos, tem cistos nos ovários.
Os três rinocerontes-brancos de Ol Pejeta chegaram em 2009. O zoológico tcheco acreditava que, ao aproximar os animais de seu habitat natural, eles se reproduziriam melhor. Mas não foi assim. A extinção do rinoceronte branco do norte é mais notada simplesmente porque é um animal imponente. Será um símbolo do que os humanos fazem com o planeta, não só no que concerne aos rinocerontes. Isso acontece com todos os tipos de animais, grandes e pequenos, em todo o planeta.
Em todo lugar, o homem ameaça os rinocerontes, vítimas da caça ilegal. O chifre do animal é vendido por mais de 55.000 euros o quilo na Ásia, principalmente na China e no Vietnã, onde se acredita que tem propriedades medicinais. Na realidade tem apenas queratina, a mesma substância que compõe nossas unhas. O rinoceronte branco do norte foi ainda mais afetado porque em seus territórios tradicionais – República Centro-Africana, Chade, República Democrática do Congo, Sudão do Sul – foram criados amplos territórios à margem da lei, raiz de diversos conflitos que sofreram.
O homem é totalmente responsável” por sua extinção. Os rinocerontes têm cerca de 26 milhões de anos em nosso planeta. Até meados do século XIX, existiam cerca de um milhão na África. Há uma década, o rinoceronte branco do norte só existia em cativeiro e logo vai seguir a sina do rinoceronte negro ocidental, desaparecido em 2011. Alguns se perguntam por que ressuscitar a espécie no futuro, se não poderá viver na natureza. Ali mesmo ainda tem que enfrentar os caçadores ilegais. Por isso, à noite, guardas armados vigiam o local e, para evitar a ganância, os chifres dos rinocerontes foram cortados. 
Fonte: Revista Eletrônica AMBIENTE BRASIL (via newsletter)


Momento lírico 342

IRRESISTÍVEL
(Karl Fern)

No desfolhar dos lampejos
Perene restinga dos desejos
A doce percepção da retina
Reflexo como gotas de colírio
Das pétalas de flores de lírio
Como um bailado de rotina.

No suave pulsar da cortina
Tênue luminescência confina
Fluidos balouçar dos trejeitos
Nestes meus olhos fascinados
Pululam de lúmens faiscados
No perfil de traços perfeitos.

Em movimentos insuspeitos
No lascivo mundo dos leitos
Da inflável paixão renascente
A risonha loucura me convida
Universo de sonhos dessa vida
Afogo-me nesse corpo fulgente.