segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Momento lírico 405

MARIANA - Ode fúnebre ao Rio Doce
(Karl Fern)

A morte tem cor vermelha
O tétrico colorido da lama
Cor que trouxe triste fama
A superfície d’água espelha
Que não deixou a centelha
Pra o rio que tanto se ama.

Agora a população reclama
Contra o terrível atentado
Ninguém pode ficar calado
Nem se acomodar na cama
Enquanto o Rio Doce clama
Socorro depois de violado.

Doído e pelo barro tomado
Onde antes era tudo fartura
Não há vivente ou criatura
Que não fique emocionado
Qual não se sinta magoado
Caia invadido de amargura.

Conhecer na imensa feiura
Revolta impotente cidadão
Dilacera qualquer coração
Faz perder sua compostura
Pulsa em dolente clausura
Avistar tamanha destruição.

Testemunhar casas no chão
Num rastro de calamidade
Imaginar vasta infelicidade
Definhando maviosa região
Soterrada em feia poluição
Sem pena e nem piedade.

Como Rio Doce a verdade
Perdeu a vida que possuía
Puído em profunda agonia
Estrangulou sua dignidade
Abatido de fatal crueldade
Dos que diziam o protegia.

Onde existiu tanta alegria
Hoje não existe nada mais
Sumiram peixes e animais
Vítimas do erro e covardia
Restou lembrança sombria
Que não se acabará jamais.

Ainda se ouvirão tontos ais
Clamor de duras injustiças
Da Samarco e as mundiças
Seus lucros monumentais
Tantos descuidos infernais
Fiando lamaçais e carniças!


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