quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Momento lírico 321

AS PAREDES
(Karl Fern)

Parede muda que o som esconde
Que nada conta dos gemidos soltos
Que nunca ver os lençóis revoltos
Guarda segredos sem notar de onde
Se perguntada ela jamais responde
Silenciosa nos amores desenvoltos.

Nas contendas dos desejos remidos
Oculta a lascívia dos casais amantes
Abafa sussurros e palavras mutantes
Abriga os cheiros dos corpos unidos
Do ofegar dos corpos ensandecidos
E do balbuciar dos lábios flamantes.

Não se mostra na escassa claridade
Marca os espaços de formas sisudas
Releva sombras das imagens agudas
Nas conjunções de suma intimidade
Acalenta os prazeres com felicidade
Que bom que as paredes são mudas!