segunda-feira, 30 de junho de 2014

Momento lírico 280

UM SONHO DE AMOR (soneto)
(Karl Fern)

Te abracei como quem enlaça um ramalhete
Com o carinho que requerem as tênues flores
Sorvi pausadamente teus extasiantes odores
Embriagado no vinho d’um divinal banquete.

Como o néctar das rosas atrai os beija-flores
Senti-me o príncipe no mais nobre palacete
Em conto de fadas com fulgurante minarete
Na viagem delirante pelo clímax dos amores.

Saciei a boca libidinosa e lábios enfeitiçados
Mimoseei ternamente teus seios imaculados
Entre sussurros entorpecidos de emotividade.

Findas sagas e mistérios de sublimes mantos
Ressoavam melodias de compassivos cantos
Ninando almas ensandecidas de felicidade!


Momento lírico 279

INFELICIDADE
(Karl Fern)

Eram duas almas encantadas
De braços felizes apaixonadas
Indo e cantando em liberdade.
Eram dois brilhantes sorrisos
Vivendo seu mundo, indivisos
Envoltos no manto da felicidade.

O tempo que leva e não traz
O que foi findo jamais refaz
Por vezes nega a lembrança
Quando não é bem pensado
Deixa o que houve no passado
Nega ao presente a esperança.

São duas almas desatinadas
Sofridas, insanas, maculadas
Carentes de carinho e ternuras
Sumiram promessas de amor
Arruinaram o idílio sonhador
Passaram a saborear amarguras!


Momento lírico 278

NÃO VEJO A HORA...
(Karl Fern)

Tanto tempo sem te ver
Tem-me posto acabrunhado
Dessa tristeza amorrinhado
Só por teu amor carecer
Ah, meu Deus o que fazer
Com esse banzo enfezado?

Sinto agonia por todo lado
Nada acho pra me agradar
Olho pra o céu ou pra o mar
Enxergo tudo emaranhado
Eu não quedo sossegado
Enquanto não te abraçar!

Não aguento mais esperar
Tou tronchinho de vontades
Meu amor pelas caridades
Não vejo a hora de te achar
Pudermos juntinhos rasgar
Esse “bisaco” de saudades!