quarta-feira, 4 de junho de 2014

Um "causo" rimado

FORRÓ EM SANTA LUZIA
 (Karl Fern)

Amigo meu desde a infância
 “Nêgo Aldo” é um presepeiro
Contar causos ele é o primeiro
E nem se veste de arrogância
Pois não é rara a circunstância
Ele mesmo se ferra por inteiro.

Como se sabe em todo Sertão
O mês junino tem muito forró
Entre as cidades do meu Seridó
Santa Luzia tem grande São João
Conhecido em toda aquela região
Por festeiros como “Bom só só!”

Certa vez estando nessa cidade
Bem na época dessa festança
Aldo resolveu fazer uma andança
Matar também sua curiosidade
Ver de perto a falada festividade
E talvez até curtir uma dança.

Bom forrozeiro como ele o é
Logo arrastou de uma morena
Entrou no balançado sem pena
Curtindo adoidado o arrasta-pé
Agarrado nela com toda “boa-fé”
Fogosa que nem a gota serena.

Cheirosa como loção de alfazema
Ele resolveu contar seu segredo
Ainda com um pouco de medo
Livrando a consciência do dilema
Disse “Sou de Jardim, meu poema
Sou casado e saio amanhã cedo!”

Em meio a dança, surpreendido
Sob a sanfona, zabumba e ganzá
Ela só respondeu “não vou pra lá
Não se preocupe meu querido
Vem cá meu gostoso enxerido
Eu sou rapariga lá em Taperoá!”

Foto: NÊGO ALDO (Grupo Biriteiros Jardinenses)

Clima de forró!

ROENDO UNHA
ELBA RAMALHO

Quando o vinvin cantou
Corri pra ver você
Atrás da serra, o sol estava pra se esconder
Quando você partiu, eu não esqueço mais
Meu coração, amor, partiu atrás
Vivo com os olhos na ladeira
Quando vejo uma poeira
Eu penso logo que é você
Vivo de orelha levantada
Para o lado da estrada
Que atravessa o muçambê
Ora, já estou roendo unha
A saudade é testemunha
Do que agora vou dizer
Quando na janela eu me debruço
O meu cantar é um soluço
A galopar no maçapê!