quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Humor: O “causo” do peixe “curimatã”

Para se entender direitinho este “causo” (nº 29), devemos nos lembrar do que acontece com o vocábulo “para”. No português vernacular é “para”. Para os poetas e no coloquial é “pra”. No linguajar simplório e popular é “pa” mesmo. Também devemos lembrar que entre as várias espécies do peixe curimatã, tão abundante em rios e lagos de água doce, existe uma muita apreciada: o curimatã pacu!
Pois bem! Na feira central de Campina Grande, estava lá Seu João do Peixe bem sossegado esperando freguês pra vender sua mercadoria, quando chega um moço bem apessoado, mas com aqueles trejeitos não muito masculinos. Com cara de exigente começa a apontar e perguntar os tipo de peixes para Seu João, que muito solícito e querendo fazer uma venda de sua mercadoria vai dizendo um a um:
- É tilápia de primeira,... é traíra de Sumé,... é piau de Boqueirão,...
Até que chega na tal curimatã! E aí ele continua mais enfático quando o tal freguês aponta:
- Esse é especial! É PACU! 
O moço entre duvidoso e empolgado, aperta curioso o peixe com os dedos e indaga meio decepcionado e com seu trejeito mais afetado ainda:
- PAA-CUUU??!! MOÓÓLE DESSE JEÊÊÊITO?!
E aí Seu João perdeu a paciência e botou o desmunhecado pra correr!...


Momento lírico 241

SAUDOSISMO
(Karl Fern)

Nos idos de antigamente
Pra se começar um namoro
Tinha sentimento e decoro
O passo era bem diferente
Na jovialidade da gente
Nada de afoitezas ou choro.

Rapaz se sentia satisfeito
Num baile no tempo antigo
Vencendo a timidez consigo
Vendo um rostinho benfeito
Falava com todo respeito
“Você quer dançar comigo?”

Se o pedido ela recusasse
Esse era um direito dela
Não lhe daria mais trela
Se o “corte” lhe chateasse
A bonitona que se danasse
Virava a bruxa banguela!

Hoje não há mais romance
O sexo tornou-se o objeto
Não se tem mais o afeto
O lirismo não tem chance
O “ficar” é que é o lance
O promíscuo é fácil e direto!