quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Momento lírico 239

VELHAS CERCAS DO SERIDÓ
 (Karl Fern)

Avelós afro-esverdeado
Currais de pau-a-pique
Tirantes de arame farpado
Roda-pés de xique-xique
Com seu acesso fechado
Com porteiras de tabique.

Varas secas de marmeleiro
Trançadas em nuas estacas
De jurema, angico e pereiro
Aparadas à foices e facas
Mourão no vão do chiqueiro
Onde se esfregam as vacas.

E as de pedras arrumadas
Justapostas com precisão
Uma a uma a mão montadas
Formando um longo cordão
E sem serem argamassadas
Não caem nunca no chão.

Colchete abrindo passagem
Trancas de nós corrediços
Mata-burros na paisagem
Deixam limites inteiriços
Carece um tico de coragem
Passar sobre os passadiços.

Além de sólidos abrigos
São uma roupagem à parte
Nos meus sertões amigos
Dos sítios um estandarte
São esses cercados antigos
Verdadeiras obras de arte.