quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Momento lírico 220


PROMESSAS DE POLÍTICOS
(Karl Fern)

Mentir é sua dolosa ferida
Sobre o incauto cidadão
Desfiando enganosa ilusão
Por quem mente é urdida
Calculada e bem vendida
Pra alguém levar vantagem
Garantia de sua vadiagem
Sendo sempre bem contada
Pelo mau político inventada
Acobertando a malandragem.

O candidato na sacanagem
Vai tapeando o eleitorado
Que lhe escuta descuidado
Enganado com politicagem
O eleitor ouve a mensagem
Ou lhe dá crença por paixão
Não cobra a devida atenção
Propostas sem compromisso
Depois permanece omisso
Defendendo a sua ilusão.

Há desculpas em profusão
De promessas sem futuro
Parece se viver no escuro
Espera a próxima eleição
Novas promessas em vão
Igual lenga-lenga ouvindo
A esperança se repetindo
Perde o sentido da razão
Vota no mesmo fanfarrão
E o sacana segue sorrindo.


Momento lírico 219

NEM LEMBRA
(Karl Fern)

Tempos que pareciam eternos
Travesseiro farto de ilusões
Bonança de carinhos ternos
Vau paradisíaco de emoções.

Pensei ter achado meu cais
Sonhei alcançar a felicidade
Pintei cadernos de esponsais
Nos floreios da intimidade.

Mundo de excelsas intenções
De repente não existia nada
No infesto celeiro de paixões
Minh’alma ruiu amargurada.

Pra mulher que amei demais
Fui só cobiçado brinquedo
Sem referências cardeais
Verso do um vetusto enredo.

E na escancha de maldade
Doou-me insensível desprezo
Banhou-me com a infelicidade
Deu-me o véu do menosprezo.

Como assentado nos anais
Uma paixão sem imunidades
De mim já nem lembra mais
Legou um paiol de saudades.