segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Moment lírico 216


VESTIDO DE RENDAS
(Karl Fern)

Ah, bordados! Por que tu escondes o que não vejo
Por baixo das exuberantes formas que me insinuas?
Cobres recintos dourados do emblemático desejo
Afrodisíacos fascínios das deidades olímpicas nuas.

Vaticínio encantador dos românticos círios angelicais
Performáticas e delicadas virtudes em cada lampejo
Nos sinuosos e finos contornos das sombras siderais
Sobram mágicas luminescências do imaculado pejo.

Na redoma de cristal de uma imagem deslumbrante
Pousa o vinho embriagante da solicitude fleumática
Adornando incidente ritual apoteótico e insinuante
Ofuscando retinas encharcadas dessa ilusão enfática.

Poderosa e fascinante cópia da Afrodite helenística
Unge minha imaginação uma obra-prima da natureza
Que a tudo encanta desfilando tua pureza artística
E versejo em fantasias defronte insofismável beleza.

Tens o fascinante e doce brilho da serena lua cheia
Que acaricia corações com ondas de desejos nobres
Um oceano de palpitações sob um manto de sereia
Semeando céus de amores no corpo que encobres.

O nascer do sol glorioso pela madrugada avançaria
Expandiriam as fugidias luzes dos arrebóis da aurora
Luzente passarela de estrelas em êxtase se formaria
Abrir-se-iam todas as rosas se te vissem como agora!