domingo, 29 de setembro de 2013

Momento lírico (triste) 207

A MINHA MÃE, IN MEMORIAN
(Karl Fern)

Encontrei-a ainda com vida
Franzina, cansada, sofrida
Sem aquela singela alegria
Voz compassada e emotiva
Dizendo que estava só viva
E atormentada em agonia.

Pegou trôpega minha mão
Entre lágrimas de emoção
Como sendo eu aprendiz
Olhou-me com parca altivez
Abençoou-me pela última vez
Dizendo “Deus te faça feliz!”

As horas foram passando
A própria vida definhando
Uma triste dolência surgiu
Completando vital destino
Como desejo do pai divino
Fechou seus olhos e partiu.

Foi pra nunca mais voltar
Pra um desconhecido lugar
Além do que se imagina
Motivou pranto e saudade
Nos que ficaram a verdade
De um dia ter a mesma sina.

Ficaram lições e lembranças
Havendo vida há esperanças
Cumpriu aqui sua missão
Viveu como tantas criaturas
Entre tormentos e venturas
Deixou vazio meu coração.

Momento lírico 206

DORES DO AMOR
(Karl Fern)

As pendências do coração
São complicadas de curar
Elas principiam devagar
Insinuam-se com sedução
E se por malgrada reação
Precisam sair de repente
Melindram tanto na gente
Doe fundo dentro da alma
O espírito perde a calma
A dignidade fica demente!

Por mais que a gente tente
Seja “valente” na decisão
Persiste uma tênue ilusão
Que poderia ser diferente
Revolvem dores na mente
Poderia se mais tolerante
Proceder mais confiante
O vazio aparenta imenso
Vacila-se no bom-senso
O tempo fica angustiante.

Resta persistir controlado
Pra suportar frustrações
Controvertidas emoções
Na autoestima recatado
Ir esquecendo o passado
Fazer essa dor passageira
O que se foi será poeira
No futuro com felicidades
Eivado de sensualidades
Imune à cicatriz traiçoeira.
Fonte: MINHA RIMAS II