sexta-feira, 30 de agosto de 2013

História 02 - As sacanagens clericais na colônia

Quando o padre Manuel da Nóbrega chegou à Bahia, em 1549, inaugurando a presença jesuítica na colônia, fez questão de manifestar sua insatisfação com a conduta do clero colonial. Os padres viviam atracados com índias, alegando que eram suas escravas! Além disso, absolviam todo tipo de lubricidade, sem dar qualquer penitência. Era caso de “chorar”, escreveu Nóbrega.
O padre Frutuoso Álvares, vigário no Recôncavo da Bahia de Todos os Santos, ao se apresentar ao visitador do Santo Ofício, na Bahia, em 29 de julho de 1591, disse que nos últimos 15 anos tinha cometido “tocamentos torpes” com 40 pessoas, “abraçando, beijando”, a começar por um jovem de 18 anos. Foi o primeiro a confessar que “fazia sacanas” desde o tempo em que serviu na Ilha da Madeira, sempre  com rapazes jovens.
Padre Jácome de Queiroz também se apresentou, de sua própria iniciativa, ao visitador, para confessar que tinha sodomizado duas índias. Alegou que o fez sem querer: como tinha tomado muito vinho, ao achegar-se às meninas, “errou de vaso” e, ao invés de penetrar no “vaso natural”, como devia (?), meteu seu “membro desonesto” no vaso traseiro, por vezes grafado no documento.
O mais incrível neste caso é que o visitador mal ligou para o fato de que as índias em causa eram duas meninas, uma de 6, outra de 7 anos. Hoje seria caso de pedofilia e abuso sexual de menores. Na época, não passava de sodomia.
No século XVIII, o frei franciscano Luís de Nazaré, vigário nas Minas, alegava ser exorcista sem sê-lo e, quando sabia de moças adoecidas e melancólicas, apresentava-se para curá-las, expulsando o demônio. De Bíblia na mão e com seu membro viril à mostra, jogava o “jogo dos punhos”, esfregando o sêmen pelo corpo da “possuída”. Preso pelo Santo Ofício, alegou que fez tudo por luxúria, não por acreditar que o sêmen era capaz de expulsar demônios. Acrescentou que as mulheres do Brasil eram tolas e acreditavam em qualquer coisa. A Inquisição só não disse “tudo bem” porque cassou as ordens sacras do frei.
Também no século XVIII, outro frade regular, pertencente à Ordem das Mercês do Pará, preferia rapazes. Gostava, em particular, de oferecer seu “vaso traseiro” e como por vezes o “vaso sangrava”, ele dizia que estava menstruado. Numa palavra: o frade das Mercês dizia que era mulher, disfarçada de frade. Ele acrescentou, como frei Luís de Nazaré, de Minas, que também os rapazes do Brasil eram tolos, acreditavam em tudo.
     Na verdade a Igreja nunca foi conivente com sodomias, pedofilias e abusos sexuais. Só conhecemos tudo isso porque a Igreja Católica tinha aparelhos de vigilância e punição dos padres que subvertiam a moral cristã. Puniam alguns, é verdade. Os papéis da Inquisição dão a prova. Os jesuítas, por sua vez, quase não aparecem como réus nesses escândalos e como diria Gilberto Freyre: eram donzelões intransigentes.

Resumo do artigo “As sacanagens clericais” do professor Ronaldo Vainfas, UFF (http://www.revistadehistoria.com.br/).

Sexo e poder no Brasil

De ferramenta de colonização e fé a algo que deve ser controlado e higienizado, o sexo no Brasil foi tema de capa da Revista de História no mês de junho de 2013.
O bandeirante João Ramalho casou-se com a filha do cacique Tibiriçá e com tantas outras que lhe pareceram estrategicamente formosas, porque, nos primeiros anos da colonização, o sexo era uma ferramenta importante para a colonização – e para a fé. Os jesuítas até tentaram disciplinar as práticas sexuais, mas em muitos casos se deram por vencidos, e capitularam. Até os mais virtuosos padres não resistiram às tentações destas terras.
Séculos depois, outras influências externas, fossem elas francesas ou africanas, escancaram cada vez mais as portas das alcovas, portas estas que foram novamente entrefechadas pela Ciência, esta grande substituta da Igreja.
Os ideais eugênicos defendiam que uma sociedade saudável e organizada sexualmente refletia diretamente seu nível de progresso. Mas Gilberto Freyre mostrou que a miscigenação era a nossa melhor singularidade. Longe de ser uma degeneração das raças, aperfeiçoava-as.
Texto de Cristiane Nascimento.

Fonte: BLOG SAIBA HISTÓRIA (http://saibahistoria.blogspot.com.br/)

Política: Um zumbi na Casa do Espanto

"Não acredito", bradou aos céus o deputado Natan Donadon, caindo de joelhos em patética pantomima, quando viu no placar da Câmara 131 votos a favor, 41 abstenções e 108 bem-vindas ausências, que mantinham o seu mandato e o consagravam como o primeiro deputado-presidiário da nossa história. Que ronco das ruas que nada, eles não ouvem e não têm medo, e mais uma vez votaram, ou fugiram, em causa própria, porque também acumulam processos na Justiça e podem ser o Donadon de amanhã.
"Não a-cre-di-to" digo eu, dizemos nós, diante da cena inacreditável, mas quando se trata dos 300 picaretas que Luiz Inácio falou deve-se acreditar em tudo, porque de tudo eles são capazes. Nunca na história deste país houve um deputado-detento, mas Lula agora diz que fica puto quando falam mal de políticos.
Donadon é o símbolo máximo do ponto mais baixo de uma instituição que existe para dar voz e poder aos representantes dos eleitores, mas, unindo o espírito de corpo ao espírito de porco, não hesita em se solidarizar com um condenado pelo STF, que teve amplo direito de defesa e usou todos os recursos e chicanas para retardar o processo.
No caso desse picareta foram ele e seus colegas de trabalho que tripudiaram sobre todos os cidadãos honestos e as instituições democráticas.  "Donadon é o símbolo máximo do ponto mais baixo de uma instituição que, unindo o espírito de corpo ao espírito de porco, não hesita em se solidarizar com um condenado".

Resumo da coluna de Nelson Motta, publicado no Globo de hoje.

Humor: Curtinhas!


1. recado na secretária eletrônica
- Provavelmente eu estou em casa. Apenas estou tentando evitar falar com alguém que eu não gosto. Deixe uma mensagem. Se eu não chamar de volta é porque é você!

2. Recado no ramalhete de flores:
- Com todo o meu amor e quase toda minha mesada!

3. Seu Manuel no mecânico
- Ó, gaijo! Eu queria consertaire a buzina do meu carro porque o freio não está muito bom!...

4. Paciente no consultório:
- De noite, eu durmo muito bem, doutor. De manhã, também. É de tarde que eu tenho um pouco de insônia!!!

5. Netinho para a vovó
Vóó! Se a senhora diz que faz maquiagem pra ficar bonita, por que é que não fica?!

História 01 - A origem das civilizações

A arqueologia distingue dois grandes e importantes períodos do homem pré-histórico, a Idade da Pedra Lascada e a Idade da Pedra Polida, épocas também chamadas, respectivamente, de Períodos Paleolítico e Neolítico. No início a população humana era nômade e os homens perambulavam em pequenos grupos, de uma região para outra, na constante busca por alimentos. Foi neste período, chamado de Pré-história, a milhares de anos atrás, que o homem aperfeiçoou as artes da sobrevivência e criou as primeiras formas de organizações sociais.
São testemunhos deste período ancestral as chamadas pinturas essencialmente rupestres que normalmente representam costumes específicos daquela era. Aparente-mente os “artistas pré-históricos” produziam suas pinturas em rituais ligados à caça, eram feitas em áreas relativamente protegidas da ação do tempo e onde eles mesmos se abrigavam e, em geral, retratavam animais caçados, flechas, dardos e figuras humanas.
Este tipo de “produção artística” não é raro e é encontrado em todas as partes do mundo onde o homem fez-se presente como habitante pré-civilizado. Na literatura aparece como exemplo clássico do período Paleolítico, a famosa pintura rupestre da caverna de Altamira, na Espanha, datada de mais de 10.000 antes de Cristo, onde um bisão tenta se defender inutilmente de um ataque de caçadores.
A origem do comportamento sedentário, a domesticação de animais e a criação da cerâmica, aos poucos foram definindo a passagem do período Paleolítico para o Neolítico. Além da cerâmica, o homem também inventou os tecidos, as primeiras ferramentas metálicas, criou os mais rústicos meios de transportes, descobriu a tração animal, etc. A história registra como pioneiros dessa alteração no padrão de sobrevivência algumas populações do Oriente Médio.
Fonte do texto: MICRODRENAGEM – UM ESTUDO INICIAL, 2010 (Prof. Carlos Fernandes)
Foto de pinturas rupestres do Sítio Arqueologico Xique-Xique - Carnaúba dos Dantas/RN


Momento lírico 194

A FLOR
 (Karl Fern)

Olhando pra àquela flor
Em meio a lírio e jasmim
Colorindo aquele jardim
Senti seu capitoso odor
Das pétalas de leve rubor
Jorraram sonhos em mim!

Lembrei o distante querer
Um romance enternecido
Onde me sentia querido.
Sozinho é difícil entender
Quem só deitou-me prazer
Tenha de repente sumido.

O que era eterno acabou
Feneceu a mimosa beleza
Floriu a dor da incerteza
Um sopro de vento levou
Monte de saudades restou
Regando mágoas e tristeza.

Flertando a flor tão viçosa
Ataviando o jardim florido
Mudo permaneci entretido
Com a imaginação copiosa
Uma lágrima fluiu teimosa
Fiquei introverso e perdido!

Fonte: MINHAS RIMA II