quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Momento lírico 179

O VIÚVO E A DONZELA! (*)
(Karl Fern)

Contou-me Chico Brejeiro
Como um fato verdadeiro
Um causo bem interessante
Acontecido com seu avô
O qual foi o próprio pivô
Seu personagem atuante.

Cidadão folgado na vida
Endinheirado sob medida
Dono de boas propriedades
Depois dos oitenta anos
Sofreu o maior dos danos
Sob as divinas vontades.

Após ele perder sua “veia”
Só e viúvo mudou de ideia
Foi criando novos planos
Apareceu um casamento
Pra os filhos um tormento
A noiva tinha vinte anos.

Isso foi um grande reboliço
A piração total do toitiço
Verdadeira ideia maluca!
Nunca poderiam relaxar
Uma sem vergonha deixar
O velho retardado da cuca.

A noiva era até que bonita
Mas uma sacana maldita
Tinha que ser convencido
Era mais uma interesseira
Pensando em ser herdeira
Da fortuna do novo marido

E pediram ao pai querido
Que atendesse um pedido
Uma reunião de família
Pensavam fazer um apelo
Assim poder convencê-lo
Acabando aquela quizília.

Fizeram todo o possível
Mas ele ficou irredutível
Do pensar não mudou nada
Eram sete filhos falando
E o noivo se esquivando
Numa vontade obstinada.

Aí perderam a paciência
Reconheceram a carência
Da tal solidão dos oitenta
“Papal isso não vai dar certo
Seja então mais esperto
Case com uma de sessenta!”

“Uma mulher nova dessas
Pode lhe fazer promessas
Esforce-se, veja e decifre
O senhor não vai dar contas
Sua cabeça terá só pontas
Vão mangar de tanto chifre”

Com essa ele “espritou-se”
Da mesa ele levantou-se
Falou forte e em definitivo
Jamais iria trocar sua amada
Por uma velha encriquilhada
Levar chifre não era motivo.

“Não há quem me faça mudar
De todo jeito eu vou casar
Escutem bem direitinho
Vou dizer pra todos vocês
Melhor a lata de doce mais seis
Que um pires de merda sozinho!”

Não restava mais que fazer
Pois o velho preferia ser
Chifrudo por todo canto,
Desde que possível fosse
Lamber o pedacinho do doce
Que todos queriam tanto!
(*) Do meu livro MINHA RIMAS II