quinta-feira, 23 de maio de 2013

Momento lírico 166

BARCO DO ALÉM
(Karl Fern)

Meu Deus, foi tão repentino
Eu um ciclista sossegado
Um motorista embriagado
Irrompeu no meu destino
Louco espírito assassino
Sombra furiosa do perigo
Deu-me violento castigo
Fardo no solo estendido
Tombei fatalmente ferido?
Flui-me um estranho suor
Ouço vozes em meu redor
Não diviso nenhum vulto
Existe calmaria ou tumulto?
Imobilidade furta-me dor
Escuridão traz-me temor
Como tosco túnel de vento
Vertigens fundem tormento
Inerte sigo sem o indulto
Que peço ao divino oculto
Fito minh’alma num andor
Apático diadema furta cor
Saindo apressada de mim
Pressagiando algo ruim
Diluindo-se em luz difusa
Em direção incerta confusa
Invade-me extenuante vazio
O mundo pende por um fio
Coração ficando cansado
Meu sangue parece gelado
Meu Deus, por que tanto frio?
...