segunda-feira, 29 de abril de 2013

Humor: O "causo" do vocabulário


Antônio Dantas, proprietário de um pequeno pedaço de terras no Sítio São Pedro, na divisa dos municípios de Jardim do Seridó com São José do Seridó, é pessoa bastante conhecida e querida por todos que o conhecem. Bom de prosa e desinibido e que com seus mais 80 anos ainda levanta cedo e tomo conta de todos os serviços de sua roça, sempre tem saídas divertidas e comentários jocosos durante suas conversas. Uma personalidade que vale a pena conhecer e conversar!
Quando era mais jovem andou pelo mundo lutando pela sobrevivência e dessa época conta muitos “causos” ocorridos em Minas Gerais, onde mais se demorou.
Logo quando chegou por lá, certo domingo de folga, foi tomar uma numa birosca próxima e, chegando no balcão, pediu para uma mulher que tava atendendo: - Pode botar uma pinga pra mim?
Ela então lhe perguntou: - O senhor é de onde?”
Ele: - Sou do Rio Grande do Norte!
Ela: - Logo vi, porque aqui a gente não diz “bota” e sim “punha”!...
Ele ficou calado, mas logo chegou um outro freguês e olhando para a TV, que transmitia um jogo de futebol, perguntou: - Quem tá jogando?
E ele que também assistia, foi logo dizendo: - É Fluminense e Punhafogo!...


Fotos de barragem de terra e sagradouro de alvenaria de pedras (em construção em 01/2006) no sítio São Pedro, pelo próprio Antônio Dantas (de camisa azul). Fez todo o trabalho sozinho com carroça, galão de carregar água, alavancas, picaretas, foices e ferramentas de pedreiro! Acima a casa do sítio com seus pereiros e umbuzeiros.

Mitologia grega: A lenda de Orfeu

Na mitologia grega, Orfeu era o poeta mais talentoso que já viveu. Os homens haviam ganho dos deuses o dom da melodia, mas não sabiam usá-la. Um dia ele nasceu e completou-se a satisfação dos deuses. Com a lira que ganhou de Apolo, jurou cantar até o fim dos seus dias. Quando tocava sua lira, os pássaros paravam de voar para escutar e até os animais selvagens perdiam o medo. Contava-se que as árvores se curvavam para pegar os sons no vento.
Um dia conheceu a encantadora Eurídice, apaixonou-se e ela por ele. Eles sorriam como se nenhum mal pudesse mudar seu destino, como se estivessem marcados para felicidade eterna. Ambos resolveram casar-se e nos campos da Trácia a festa teve início.
Os olhos do poeta estavam cravados na imagem serena da amada. O rosto delicado, o passo tímido, as formas leves... Cada traço de Eurídice era um motivo a mais para cantar. Euridice feliz resolveu dar um passeio noturno. A lua iluminava seu rosto suave. Seus olhos refletiam paixão e esperança. O riso inocente tornava-a ainda mais bela.
Mas Eurídice era tão bonita que durante o passeio despertou o desejo de um apicultor chamado Aristeu. Ela recusou suas atenções e ele a perseguiu. Tentando escapar, na escuridão ela pisou em uma serpente que a picou mortalmente. Ela gritou enlouquecida, mas naquele momento apenas os pássaros a escutaram. O veneno penetrou pouco a pouco... A virgem ainda pronunciou pela última vez o nome do amodo e morreu.
Pouco depois o poeta encontrou o cadáver da esposa quando sua alma já se desprendera da carne dilacerada pelo veneno fatal. O poeta tentou cantar sua dor, maior que todas as esperanças, mas sua garganta permanecia muda, pois era impossível ressuscitar a amada.
Orfeu ficou transtornado de tristeza. Nada mais teria sentido. A música perdera a razão sem Eurídice. Fitou o Olimpo pedindo resposta e os deuses lhe apontaram o trágico caminho: Descer ao mundo dos mortos, onde já se encontrava a alma dela.
Levando sua lira e cantando para adquirir forças ele iniciou o trágico caminho, o qual nenhum mortal fizera antes, para tentar trazê-la de volta. A canção pungente e emocionada de sua lira convenceu o barqueiro do mundo dos mortos, Caronte, a atravessá-lo vivo pelo rio Estige até a entrado do maldito reino. A canção da lira adormeceu o terrível vigilante, Cérbero, e seu tom carinhoso aliviou os tormentos dos condenados.
Finalmente Orfeu chegou ao trono de Hades.  A agonia da sua música comoveu o rei dos mortos e a rainha Perséfone, implorou-lhe que atendesse o pedido de Orfeu. Hades atendeu seu desejo com um condição: Eurídice poderia voltar ao mundo dos vivos desde que ele não olhasse para ela até que estivesse à luz do sol.
Orfeu partiu tocando músicas de alegria, enquanto caminhava, para guiar a sombra de Eurídice de volta à vida. Já no final do tenebroso túnel ele olhou para se certificar de que Eurídice o acompanhava. Por um momento ele a viu, perto da vida outra vez.  Mas enquanto ele olhava, ela se tornou de novo um fino fantasma e as portas do mundo eterno se fecharam e sumiram impiedosamente.
Seu grito final de amor e penar não foram mais do que um suspiro na brisa que saía do Mundo dos Mortos. Ele a havia perdido para sempre do mundo dos vivos.
Em desespero total, Orfeu se tornou amargo. Recusou o amor de qualquer outra mulher por causa da perda de sua amada. Morto seu corpo foi jogado no rio Hebro, onde ainda se ouviu por algum tempo sua voz cantando, "Eurídice! Eurídice!". Finalmente sua alma reencontraria Eurídice e cantar um amor que foi maior que a morte.
Fonte: DIVERSAS