quarta-feira, 24 de abril de 2013

Ganância x Ambiente

A pecuária na América do Sul e a extração de carvão na Ásia são as atividades econômicas mais prejudiciais ao meio ambiente. Os custos ambientais e sociais provocados pelos danos ao meio ambiente  aponta que, por ano, essa conta chega a US$ 4,7 trilhões – o dobro do Produto Interno Bruto do Brasil em 2012, que foi de US$ 2,2 trilhões (R$ 4,4 trilhões).
Toda a riqueza produzida em território nacional multiplicada por dois é o quanto custa para a economia mundial os prejuízos causados pelas emissões de gases de efeito estufa, perda de recursos naturais e serviços baseados na natureza, como o armazenamento de carbono por florestas, mudanças climáticas – além dos custos de saúde associados à poluição do ar.
Ásia e América do Sul como maiores predadores – A análise mostra que a extração de carvão na Ásia, liderada pela China, gera um lucro estimado em US$ 443 bilhões por ano. Ao mesmo tempo, a atividade custou US$ 452 bilhões em danos à natureza – em grande parte pela emissão de gases de efeito estufa.
Já a pecuária na América do Sul ocupa o segundo lugar no ranking. O prejuízo para a natureza foi calculado em US$ 353 bilhões, que considerou os problemas no abastecimento de água e o desmatamento principalmente na região amazônica. Por outro lado, a estimativa é que o corte da floresta tenha gerado um rendimento de apenas US$ 16,6 bilhões.
 (Fonte: Terra/ Pnuma)


Momento lírico 162

O VELHO AÇUDE
(Karl Fern)

Meu Açude Velho querido
Saudoso do teu passado
Parece estranho, cansado
Lamentando o tempo ido
Em teu leito ressequido
Triste, sofrido, abandonado.

Tuas margens exuberantes
Com teus belos capinzais
Ode de herbívoros animais
Com tuas férteis vazantes
O orgulho das eras antes
Hoje não subsistem mais.

Brandos e verdes arrozais
Sadia e saborosa melancia
Farta batata doce e macia
Melões da terra especiais
Pegavam-se todos cereais
Que nossa fome carecia.

Feijão macassa se colhia
Macaxeira, milho em espiga
Fava pra encher a barriga
Semeando tinha todo dia
Sem pressa e sem agonia
Nunca vi terra mais amiga.

Era uma vida sem fadiga
Plantava-se até gergelim
Jerimum, cana e amendoim
As custas da água contida
Durante o inverno recolhida
Realces de divino folhetim.

Era tudo um imenso jardim
Manancial de saúde e beleza
Erguido como real fortaleza
Na fila de serrotes sem fim
Com mocós, tiús e guaxinim
Demais bichos da natureza.

Líquido de salubre riqueza
Repleto de peixes à vontade
Da mais variada qualidade
A curimatã tinha nobreza
As maiores da redondeza
Tudo em vasta quantidade.

Na mente vem a saudade
Dos banhos nas águas puras
E nas profundezas escuras
Mergulhava com habilidade
Referto daquela ingenuidade
A mais feliz das criaturas.

Hoje não há mais farturas
Penso num passado perdido
Parece-me de morte ferido
Não há alvissaras futuras
Fluem lágrimas de amarguras
Por ti Açude Velho querido!