quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Momento lírico 138

CORES MORTIÇAS
(Karl Fern)

As cores da solidão
São confusas e indefinidas
Pintam aquarelas doloridas
Colorem uma comoção
Florescem na emoção
Das mentes desiludidas.

Traz lembranças entristecidas
Pintam erros do passado
Aos olhos do alienado
Riscam tintas aborrecidas
Que queimam como feridas
No seu imo desencantado.

Espírito aflito e entediado
Sem júbilo nem fantasia
Um arco-íris de agonia
Borda um traço apagado
Que deixa o pobre coitado
Com sua esperança vazia!

Nem roga que algum dia
Haja luz em seu caminho
Com cores vivas de carinho
Brilhe as tintas da harmonia
Traga de volta a alegria
De não mais viver sozinho!

Rolha de cortiça


Uma rolha é um objeto utilizado para a retenção de líquidos e/ou gases em recipientes. O Museu do Fundador da Corticeira Amorim, fundada por António Alves de Amorim (1832-1922), em Santa Maria de Lamas, denominado Palheiro da Eira, ocupa um lugar de destaque uma ânfora datada de 200 anos a.C., descoberta no estatuário do Sado. A Amorim & Irmãos é o maior produtor e fornecedor de rolhas de cortiça a nível mundial, registando uma produção anual de três mil milhões de unidades, o que lhe confere 25% da quota do mercado global da cortiça.
Há evidências da utilização de rolhas de cortiça por Egípcios do terceiro milénio a.C.. Ânforas com rolhas de cortiça foram também encontradas nas escavações em Pompeia. Em 1952, oficial da marinha francesa, documentarista, cineasta e oceanógrafo francês Jacques-Yves Cousteau (1910-1997) recuperou, das profundezas das águas italianas, 7000 ânforas com cerca de 2200 anos, algumas delas ainda rolhadas e contendo vinho. A cortiça é igualmente mencionada em odes, versos e importantes obras escritas, de diferentes épocas. A industrialização surgiu por volta de 1530 o que possibilitou o vinho, que antes era guardado em barris e tonéis, fosse guardado em garrafas.
Essa invenção também possibilitou o aparecimento do champanhe.No século XVII, com o transporte de vinhos em franco crescimento, a cortiça conquistou um confortável estatuto, impulsionada pelo monge beneditino Dom Pérignon, Mestre Dispenseiro da Abadia de Hautvilliers (Pierre Pérignon, 1639- 1715). D. Pérignon estava insatisfeito porque as cavilhas de madeira com cânhamo, utilizadas como vedantes das garrafas, saltavam com frequência. Ao constatar que os vinhos da região de Champagne tendiam a desenvolver uma espuma natural sob pressão no interior das garrafas de vidro, e influenciado pelos peregrinos de Compostela, cujas marmitas eram vedadas com cortiça, resolveu aplicar este mesmo material nas suas garrafas. A excelente performance, fez nascer uma poderosa aliança entre a rolha de cortiça e garrafa de vidro, aperfeiçoada, também nesse século, pelas técnicas vidraceiras inglesas. Demonstrada a capacidade de preservar a qualidade do vinho, as rolhas rapidamente começaram a ser procuradas por grandes casas produtoras de vinhos, como a Ruinart e a Moët et Chandon.
A cortiça é extraída da casca do sobreiro (Quercus Súber), que só pode ser retirada quando a árvore atinge 25-30 anos de idade, e o ciclo se extração é de cada 9 anos. Portugal é o maior fabricante de cortiça do mundo (51%), devido à quantidade de sobreiros existentes no Alentejo.
    O saca-rolhas apareceu no século seguinte, mas desconhece-se seu inventor. Porém é sabido que o saca-rolhas em espiral foi patenteado em 1795 pelo inventor inglês pouco conhecido, denominado de Samuel Hershaw. Devido aos custos e ao eventual desenvolvimento do fungos nas rolhas, assistiu-se nos últimos anos à introdução de rolhas sintéticas, em particular em vinhos americanos e os produzidos na Oceania (Austrália e Nova Zelândia).
Fonte principal AMORIM (http://www.amorim.com/cor_neg_rolhas.php)