quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Momento lírico 135

O GRITO DO SILÊNCIO
(Karl Fern)

No instante que principiei viver
Meus pais nem desconfiavam
Fruto mais nobre do intenso prazer
Gerado quando mais se amavam.

Era só um minúsculo pontinho,
Mas já percebia como eu iria ser
De cada um tinha um pouquinho
Para com os dois poder parecer.

Olhos negros de papai eu tinha
E da mamãe o belo cabelo liso
Dele a simpatia também vinha
Mas da mamãe herdaria o sorriso.

Com certeza seria uma menina
Pra família causar muita euforia
Abençoada que era minha sina
Recolhida da paixão daquele dia.

E duas semanas deixaram-se ir
Começou a minha boca se formar
Em um ano eu já poderia sorrir
Quando no berço fossem me olhar.

Vinte dias decorridos, eu a crescer
Em uma milagrosa dádiva divina
Meu coraçãozinho encetou a bater
Uma pulsação suave e pequenina.

Um mês, mas ainda imperfeitos
Brotavam meus braços e pernas
Naturais, esquerdos e direitos.
Pra abraça-los e fazer “badernas”.

Seis semanas esperando por ela
Finalmente minha mãe me sentia
Viu o que carregava dentro dela
Sonhei possuída de infinda alegria.

Sete semanas e eu já percebia
Meus órgãos estavam formados
Serei amada com toda mordomia
Terei pais ainda mais enamorados.

Setenta dias depois, bem fininhos
Cresciam meus primeiros pelos
Imaginei minha mãe com lacinhos
Enfeitando delicada meus cabelos.

Em duzentos dias irei ver a luz,
Depois cores, flores,... ir na praça
Penso como mamãe me conduz
E como papai chega e me abraça!

Ainda havia tantos dias a esperar!
Faltando para além de seis meses...
Queria logo nascer, sorrir e gritar
Paciência, não se nasce duas vezes!

Mamãe amanheceu meio calada
Já são quase três meses de vida
Notei-a um pouco angustiada
Parece que vamos dar uma saída!

Acho que mamãe quer se distrair
Talvez comprar roupinhas pra mim!
Sem dúvidas, agora vamos sair,
Mas ela tá misteriosa, isso sim!

Estamos entrando num hospital
Ah! Ela vai checar minha saúde
Que felicidade! Mamãe é especial
Ela se preocupa comigo amiúde!

O médico já está quase chegando...
Meu Deus! É uma clínica de aborto!
Mamãe! Ele está se aproximando!
Socorro! Não me tornem feto morto!...

Gritei, gritei, mas foi tudo em vão
Indefesa implorei por liberdade
Aquele médico nunca teve coração
E de mim nem a mínima piedade.

Foram-se os sonhos de felicidade...
Ninguém escutou os meus ais!...
Destruíram aquela sagrada vontade
De fazer a alegria dos meus pais!

Não vi a luz, flores, cores, enfim...
Os meus planos... tudo acabou...
Sim... Não tiveram dó de mim
HOJE MINHA MÃE ME ASSASSINOU!!!

Adaptação em rimas pelo autor desse blog, de um artigo da SELEÇÕES DO READER´S DIGEST
(H. Schwab - Nur ein Hinderland ist ein Vaterland)


13 de fevereiro: Dia mundial do rádio

A Organização das Nações Unidas (ONU) comemora nesta quarta-feira (13) o Dia Mundial do Rádio. Para celebrar a data, publicamos aqui o resumo biográfico deste ilustre e injustiçado brasileiro, copiada de meu site SÓ BIOGRAFIAS! (Apesar de extensa, leiam pra sentir  porque somos tão atrasados cultural e tecnicamente!)
Roberto Landell de Moura (1861-1928)
Religioso e inventor brasileiro nascido em Porto Alegre, capital do Estado do Rio Grande do Sul, considerado o patrono brasileiro das telecomunicações e do radioamadorismo do Brasil e um dos mais injustiçados inventores da história científica brasileira. Filho de Ignácio José Ferreira de Moura e Sara Mariana Landell de Moura, ambos de tradicionais famílias rio-grandenses, sendo o pai descendente de portugueses e a mãe de escoceses. Foi educado na Escola Pública do Professor Hilário Ribeiro, no bairro da Azenha e, a seguir, entrou para o Colégio do Professor Fernando Ferreira Gomes. Com 11 anos (1872) entrou no Colégio Jesuíta de Nossa Senhora da Conceição, de São Leopoldo, Rio Grande do Sul, onde concluiu o curso de Humanidades e seguiu para a Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Destinado a seguir a carreira eclesiástica, em companhia do seu irmão Guilherme, seguiu para Roma para estudar direito canônico e matriculou-se (1878) no Colégio Pio Americano e na Universidade Gregoriana. Completou sua formação eclesiástica em Roma, formando-se em Teologia e ordenado sacerdote (1886). Ele também aproveitou seu período de estudos em Roma para estudar física e aprofundar-se nas pesquisas sobre a possibilidade de enviar e receber sons e sinais pelo ar, a grandes distâncias e sem a ajuda de fios. Voltou ao Brasil (1886) e foi nomeado capelão da Igreja do Bonfim e professor de História Universal no Seminário Episcopal de Porto Alegre (1887). Foi vigário, por um ano, na cidade de Uruguaiana (1891) e no ano seguinte foi transferido para o Estado de São Paulo, onde foi vigário e serviu em uma série de cidades do interior paulista. Paralelamente, como autodidata, continuava pesquisando e logo desenvolveu um aparelho formado por uma válvula e três eletrodos. Começou a executar estudos e experiências em Mogi das Cruzes (1892) e em Campinas (1893). Em seu primeiro teste na capital do Estado (1894) quando transmitiu um sinal da Avenida Paulista que foi captado no Colégio Santana, a 8 quilômetros de distância, onde era capelão. O padre brasileiro transmitia, assim, pioneiramente, voz que até então só era possível por telegrafia e sua experiência é tida como o marco inicial da radiotransmissão. Efetuou uma demonstração pública de seu invento (1900) através de ondas eletromagnéticas moduladas, testemunhada por um repórter do Jornal do Comércio e um representante do governo britânico. Já existiam na época o telégrafo, inventado por Samuel Morse (1807), o telefone de Graham Bell (1876) e a radiotelegrafia do italiano Guglielmo Marconi (1895), mas todos utilizando fios. Censurado pela Igreja e considerado louco por seus contemporâneos, foi acusado de pacto com o demônio. Foi acusado de bruxaria, por falar e ouvir vozes do além, e seu laboratório foi destruído por moradores de Campinas, incentivados pela desconfiança da diocese paulista. Com muita luta, obteve uma patente brasileira (1901) e foi para os Estados Unidos tentar uma patente internacional. Depois de três anos morando nos EUA, obteve (1904) três cartas patente: Transmissor de ondas, Telefone sem fio e Telégrafo sem fio. Enquanto seu rival italiano ficava famoso, ele era perseguido no Brasil, sendo inclusive lhe negado o apoio oficial. Para fazer uma demonstração pública de seu aparelho foi pedir ajuda oficial a presidência da República. Foi recebido (1905) por um assessor do presidente Rodrigues Alves, que o considerou um maluco e, assim, cassou a grande chance de mudar sua sorte e a da tecnologia de ponta do país. Cônego do Cabido Metropolitano de Porto Alegre, foi elevado pelo Vaticano a Monsenhor (1927) e nomeado Arcediago (1928), morreu seis meses depois, aos 67 anos, atacado pela tuberculose, em um modesto quarto da Beneficência Portuguesa de Porto Alegre, cercado apenas por seus parentes e poucos amigos fiéis. Enquanto o padre brasileiro não teve o devido reconhecimento por seus compatriotas, pela imprensa e autoridades brasileiras da época, Marconi contou com a ajuda do governo italiano para divulgar seu intento e levou o crédito da invenção porque contou com aquele fundamental apoio e sua experiência ficou tida como o marco inicial da radiotransmissão: a radiotelegrafia de Guillermo Marconi (1895). O Exército Brasileiro, em homenagem ao cientista gaúcho, concedeu a denominação histórica de Centro de Telemática Landell de Moura ao 1° Centro de Telemática de Área, organização militar de telecomunicações situada na cidade de Porto Alegre (2005).