quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Humor: O "causo" do velhaco envelhacado!


Contada por João Roque sobre Moscouro, saudosa personalidade do mundo folclórico jardim-seridoense que, segundo o mesmo João, tinha fama de “veiacar” Deus e o Mundo! Certa vez ele resolveu armar pra cima do veterano e conhecido comerciante de Jardim do Seridó, Seu Avelino. Entrou na mercearia e aproximou-se do balcão!
Botando dinheiro em cima do balcão, falou: - Amigo Avelino, muito obrigado por ter confiado em mim e tá aí os vinte contos que fiquei lhe restando de uma comprinha que eu lhe fiz o mês passado!
Seu Avelino, surpreso, disse: - Eu num me lembro dessa conta não, Moscouro!
Moscouro, mais mala do que nunca, retrucou: - Homi, como era uma conta pequena, você anotou num pedaço de papel de embrulho e colocou aí dentro da gaveta!
Avelino, depois de procurar, procurar e não achar (não ia achar nunca, pois era tudo armação!...) e botando os vinte no bolso: - Muito obrigado, Moscouro, pois nem esperava mais esse dinheiro!
Aí Moscouro se preparou pra enganar Seu Avelino com pelo menos uns 200 contos e falou: - Agora Avelino, eu tou precisando de fazer outra feirinha fiado pra pagar o mês que vem!...
E Seu Avelino, mais esperto ainda, rebateu: - Moscouro, você vai me desculpar, mas eu ando muito esquecido e não vou mais vender fiado pra você não!”. E encerrou o assunto!
      E seu Avelino entrou pra a história como o único comerciante de Jardim que conseguiu enganar Moscouro!

Momento lírico 120

SAUDOSO RANCHINHO
(Karl Fern)

Revendo minha antiga zona rural
O São Roque onde eu me criei
Muita coisa não mais encontrei
Paisagem de toque sentimental
Não há mais quase nada original
Morreu ou sofreu transformação
Pouca coisa serve de recordação
Meu mundo antigo foi destruído
Daquele meu ranchinho querido
Não existe nem marcas no chão

Hoje é apenas um descampado
Inexiste qualquer sinal no lugar
Mesmo assim volta a imaginar
Daquele meu mundo encantado
Ali fui feliz e muito bem criado
Refaço minhas imagens de então
A vida de uma criança do sertão
Que viveu nesse recanto perdido
Daquele meu ranchinho querido
Não existe nem marcas no chão

Era sim nossa singela choupana
Mas pra mim era como palacete
Seu piso era como um fino tapete
Parecia ser a morada mais bacana
No mínimo a mais linda cabana
Que poderia existir nesse mundão
Semeei um sentimento de ligação
Agora vejo que, mui entristecido,
Daquele meu ranchinho querido
Não existe nem marcas no chão

Eram três lindos compartimentos
Somando duas salas uma cozinha
Nas paredes nenhuma janela tinha
As paredes de taipa sem cimentos
Onde todos os seus tapamentos
Eram feitos com adobe de torrão
Teto de folhas de coqueiro-anão
Amarradas com arame retorcido
Daquele meu ranchinho querido
Não existe nem marcas no chão

A primeira sala a porta de entrada
Onde as dormidas eram armadas
Pra algumas visitas e a criançada
Apoiadas nas estacas das paredes
Com cordas dos punhos das redes.
Dormiam os pais no próximo vão
Tinha baús rústicos e um colchão
Uma rede miúda de recém nascido
Daquele meu ranchinho querido
Não existe nem marcas no chão.
A cozinha com seu fogão a lenha
Onde na mesa se punha a comida
Em torno dela a família reunida
Parecia cada um ter a sua senha
Jamais houve motivo pra resenha
Esperavam seu prato na sua mão
A mãe sabia arrumar com exatidão
Cada um no seu canto escolhido
Daquele meu ranchinho querido
Não existe nem marcas no chão.

Na cozinha tinha a porta de saída
Por onde galinha teimava entrar
Onde o cachorro ficava a esperar
Que também atirassem comida
As vezes uma cascavel atrevida
Ou uma jararaca atraiam atenção
Mas naquele abençoado rincão
Jamais alguém foi por elas ferido
Daquele meu ranchinho querido
Não existe nem marcas no chão.

Em frente uma cerca bem antiga
Via-se um passadiço pequeno
Por onde se chegava ao terreno
Que aceirava o principal roçado
Era a proteção contra o gado.
Dali deliciava-me com audição
Do açude velho em extravasão
Depois de intensamente chovido
Daquele meu ranchinho querido
Não existe nem marcas no chão.

E naquele piso de barro batido
Um cantinho da sala rebaixado
Era meu sítio de brincar sentado
Um carrinho de lata de sardinha
Deslizando na curta estradinha
Uma engenharia de imaginação
Ali já despertava minha aptidão
Intrínseca em meu sexto sentido
Daquele meu ranchinho querido
Não existe nem marcas no chão.

É assim mesmo a vida material
Tudo passa nada é permanente
Muito daquilo que marca a gente
Inesquecível e de muito especial
Também um dia tem o seu final
Só a memória enche de emoção
Guarda raízes em nosso coração
É frustrante vê-lo desaparecido
Daquele meu ranchinho querido
Não existe nem marcas no chão.


Calendários atuais

Desde a Antiguidade, os povos adotam diferentes sistemas para a contagem do tempo anual (calendário) e, embora hoje o calendário cristão seja predominante, ainda subsistem os calendários hebreu, chinês e muçulmano.
O primeiro calendário surgiu no Egito Antigo em cerca de 3.000 a.C. Considerava as fases da Lua e dividia o ano em 12 meses de 29 ou 30 dias.  O calendário romano era baseado no egípcio, tinha 304 dias e 10 meses, sem os meses de julho e agosto.
O calendário juliano, assim chamado porque foi criado por ordem do patrício, líder militar e político romano Caio Julio César (100- 44 a.C.), resultou da reforma do calendário romano. Estabeleceu o ano solar de 365,25 dias e o ano civil de 365 dias, com um bissexto de 366 dias a cada quatro anos. São retirados dois dias de fevereiro e acrescidos aos meses de julho e agosto, porque têm nome de imperadores.
Depois veio o calendário cristão, proposto (525) por Dionísio Exíguo, o Menor (~470-540), monge, matemático, astrônomo e historiador grego nascido na Cítia Menor, hoje a região de Dobruja, Romênia, que propôs (525) um novo calendário para por fim à desordem dos diversos sistemas de contagem cronológica então empregados. Dionísio tomou como base o calendário juliano e tendo o nascimento de Jesus Cristo como ano 1 do século I. Os períodos e acontecimentos anteriores a isso passariam a ser datados com a sigla a.C. (antes de Cristo) e contados de trás para diante.
Em 1582 surgiu o calendário gregoriano, criado por ordem do papa Gregório XIII (1502-1585), por isso assim denominado. Ele ordenou ao jesuíta matemático e astrônomo germânico Christoph Clavius (1537-1612) para verificar e corrigir os cálculos do calendário cristão/juliano, criando então o nosso atual calendário, que pelos seus cálculos já apresentava um erro de 10 dias.
No final do século XIX, quando a contagem cronológica da História pelo sistema de Dionísio já estava difundida e uniformizada pelo mundo, descobriu-se um erro de cálculo. Como parece ser fidedigna a data da morte de Herodes (4 a. C.) na contagem gregoriana, alguns historiadores afirmam que Jesus, seguramente, nasceu antes desta data, e frequentemente são encontrados textos dando como data do nascimento do fundador do cristianismo dois anos antes (6 a. C.).
Ainda são empregados atualmente os seguintes calendários:
1.         Calendário hebreu – Lunissolar (considera o Sol e a Lua), com ano médio de 365,246 dias e meses de 29 ou 30 dias e o ano 1 da era judaica corresponde a 3.761 a.C. ;
2.         Calendário chinês – Lunissolar e comporta dois ciclos: um de 12 anos (de 354 ou 355 dias, ou 12 meses lunares) e um de sete anos (com anos de 383 ou 384 dias, ou 13 meses). Os anos do primeiro ciclo têm nomes de animais: rato, boi, tigre, lebre, dragão, serpente, cavalo, cabra, macaco, galo, cachorro e porco;
3.         Calendário muçulmano – Lunar com ano médio de 354,37 dias e meses de 29 e 30 dias, estabeleceu como ano 1 a data da fuga de Maomé de Meca para Medina, a hégira, e corresponde ao ano 622 da era cristã.
Fontes principais:
- ALMANAQUE ABRIL / 1995;
- SÓ BIOGRAFIAS (www.dec.ufcg.edu.br/biografias/
)

Biografias de brasileiras - 14

Índia Isabel ( ? - 1585)
Índia escravizada e cristã brasileira nascida na Bahia, vítima da crueldade de seu senhor, o cristão-velho e desafeto do jesuítas, o cruel Fernão Cabral de Taíde (1541-1594?), proprietário de engenho e da Sesmaria do Jaguaribe, no Recôncavo Baiano, hoje Nazaré da Mata, onde ficava uma santidade indígena, a mais famosa e documentada dessas comunidades heréticas no Brasil,  de idolatrias gentílicas insurgentes, a Santidade de Jaguaripe, Bahia (1585-1586), liderada por um índio de nome Antônio, que fugira da missão jesuítica de Tinharé.
A Santidade era um movimento espontâneo, reunindo índios fugidos das aldeias jesuíticas e das fazendas de açúcar, que teve a certa altura de sua história o auxílio desse poderosíssimo senhor de engenho, que resolveu atrair a Santidade indígena para suas terras, mediante a promessa de que ali os índios teriam apoio e liberdade de culto. No período entre 1560 e 1627, a Santidade sobreviveu no sul da Bahia. Índios, e mais tarde negros escravos africanos ou crioulos fugidos, uniam-se em operações militares contra os povoados habitados por portugueses, especialmente contra as plantações de cana-de-açúcar e os engenhos do sul do Recôncavo. Conforme o relato do Governador Diogo de Menezes, em 1610, havia mais de 20 mil índios e escravos fugidos nas aldeias.
Sob a acusação de ter contado casos amorosos de Fernão a sua mulher, Margarida da Costa, este ordenou ao feitor, Domingos Camacho, que a queimasse viva na fornalha da fazenda, o que ele fez ajudado pelo escravo guiné João. O episódio teve enorme repercussão na Bahia. Esta situação gerou perturbações na capitania da Bahia, até que fosse ordenada a destruição da Santidade pelo governador Teles Barreto (1585).
Seis anos depois deste episódio chegou à Bahia o visitador inquisitorial, Heitor Furtado de Mendonça, encarregado de averiguar judaização, bigamia, sodomia, e o episódio foi denunciado a esse Tribunal do Santo Ofício, por ocasião da visitação do Santo Ofício à Bahia (1591-1593) e aberto o processo inquisitorial contra Taíde, numa denunciação de 17 de agosto (1591), em que Paulo d’Almeida acusava o senhor de engenho de haver tentado amorosamente a uma irmã da denunciante e duas vezes comadre do denunciado.
Fonte: SÓ BIOGRAFIAS (http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/)