segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Momento lírico 109



OUTUBRO FATÍDICO
(Karl Fern)

Foi um ingênuo sonho de liberdade
Revoando sobre as asas da esperança
Como o sorriso franco de uma criança
Livre dos meandros da vil falsidade
Onde vislumbrei a casta sinceridade
Envolta em progresso e real pujança.

Como se sentisse o sol mais radiante
Brilhando para um glorioso amanhã
Ansiei no meu imo com airoso afã
Ver na alegria do amigo caminhante
Um singelo e abençoado semblante.
Limpo do pecado da oferecida maçã.

Acreditei todos livres dessa mentira
Vivendo em comunhão e irmandade
Aprendendo a viver em felicidade
Sem o culto provocante de tanta ira
Tendo somente a paz como a mira
Esquecido dos antros da falsidade!

Mas eis que a ventura foi impossível
Não há trilha de pérolas pro viajante
O futuro digno sempre será distante
A maldade dissimulada a preferível
O legado do pecado o mais plausível
O querer imediato foi mais vibrante.

Momento lírico 108



ATO DE AMAR
(Karl Fern)

Amar é um ato de mútua sedução
O extrapolar de todas as emoções
No tálamo de divinais inspirações
A consumação excelsa da atração.

Êxtase sublime nos lençóis do leito
Improviso de fascinantes carinhos
Um cultuar de recatados cantinhos
Um palpitar cálido dentro do peito.

A cupidez em matizes da felicidade
Zuídos e murmúrios se entremeiam
Bocas ávidas de desejos passeiam
Sorvendo a doçura da sensualidade.

Corpos molhados em reluzente suor
Amando-se em ritmos harmônicos
Põem termo sob suspiros eufônicos
O romântico ato da entrega maior.

Compôs o velho poeta meditando
Que mesmo num momento sofrido
Viver sempre terá perfeito sentido
Quando se pode continuar amando!

Momento lírico 107




NINGUÉM MERECE...
(Karl Fern)

Dramática e dolosa prisão
Em aparente liberdade
Imerso em cabal ansiedade
De angustiante sensação
Maltratando um coração
Em permanente agonia
Que seja noite ou seja dia
Um estado de impaciência
Confusa dose de demência
Sobrevivência sem alegria

Amargurado em letargia
Perdido em tino ou iniciativa
Lídima tensão opressiva
Cravada na mente arredia
Mórbida sensibilidade vazia
Torturando sem piedade
Esvaziando alguma felicidade
Pungente vida de amargura
Virtual abismo da loucura
Ingênuo na força de vontade.

Penosa ausência de carinho
A falta de um bem querer
Retraimento no conviver
Penúria de quem é sozinho
Perfurando que nem espinho
Furtivo existir sem emoção
Alma aflita e sem afeição
Na carência de um abraço
Refém num dramático espaço
Torturante dor sem solução!

Solitário, doente, compulsivo
Sob o tempero da saudade
Atiçado pelo fogo da insanidade
Não passa de vivente cativo
Subsiste como morto-vivo
Aflita criatura sem noção
Absorto em vaga imaginação
Se mostra aguda prova fiel
Vítima do sofrimento cruel
NINGUÉM MERECE A SOLIDÃO!