quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Humor: O "causo" da farinhada em Sapé

        
           Sapé, município da região leste da Paraíba, é conhecido como grande produtor de abacaxi e mandioca. Contaram-me que certa vez um agricultor daquela região (não vou dizer o nome, pode a família não gostar e eu levar umas porradas!), acordou três horas da madrugada pra colher sua roça de mandioca e fazer farinha pra vender e adquiri seu sustento! Pois bem! Levantou-se e saiu ainda escuro para o roçado. Arrancou toda a roça (é assim que se chama um plantação de mandioca!), cortou a rama, descascou as batatas, lavou, cortou, moeu, preparou o fogo na casa de farinha e tudo o mais necessário, durante todo o dia e entrou pela noite.
           Umas dez horas da noite, tava ele lá sozinho morrendo de cansado, só de calção sujo, todo suado, mexendo a massa moída pra torrar e ficar sequinha no ponto e farinha. Mas não podia parar senão perdia toda o trabalho da safra. Foi aí que chegou sua mulher em toda carreira, apavorada e esbaforida e gritando: - ZÉ, pelo amor de deus, corra lá em casa que papai deu um troço e parece que tá morrendo! E o roceiro aperreado e naquela altura na última parte de seu trabalho de todo o dia e da safra, mas ainda não podendo parar, sem nem pensar direito na situação do sogro, gritou de volta: - Ele num tá nem com a mulesta pra querer morrer logo agora! E continuou mexendo...

Momento lírico 106


CAMINHANDO NA PRAIA
(Karl Fern)

Andejando pela fímbria arenosa
Sob a luz de um mar de estrelas
Luminosas, piscantes, singelas
Pontuando pelo espaço infinito
Bordando um céu mais bonito
Universo de ostensiva serenidade
De dadivosa e suave sonoridade
Sob sussurrantes ondas do mar
Que a meus pés vêm enxaguar
Sobre a areia fria e silenciosa.

Contemplo enlevado a imensidão
Raios de luar riscam o horizonte
Lua que de todo poeta é fonte
Astro para infindáveis alegorias
Inspiração de sonhadas fantasias
Bem além a água oscila prateada
Refletindo pela noite enluarada
Numa imaginação complacente
Intuindo por dentro da mente
Suspiros de comovedora solidão.

Nesse passeio absorto de paz
Que min’alma vivente precisa
A fértil imaginação improvisa
Isenta e desligada de aflições
Recordo-me de minhas paixões
A brisa me afaga com carinho
Ditoso seja esse meu caminho
Areia como grãos de brilhantes
Os aromas do mar olorizantes
Perfeições que somente Deus faz.

Feliz sensação de vital prazer
Envolto em brumas perfumadas
Pareço estar num conto de fadas
Um sonho de eterna liberdade
Sou um pontinho na verdade
Presente da minha Mãe Natureza
Feitora de tanta luz e beleza
Capricho da sublimidade divina
Pra mim, uma alma pequenina
Ter mais ânsia e talante de viver.


Momento lírico 105

DESABAFO!
(Karl Fern)

Nesse mundo de interesses escusos
Que só se pensa ganhar vantagens
O importante são as malandragens
A honestidade encontra ínfimo uso
E quem for correto é um intruso
Sobreviver tornou-se luta perigosa
A desconfiança uma arma poderosa
Nada de ruim é alguma novidade
Nossa vida gira no pião da falsidade
Até a verdade passou a ser mentirosa!

Tormento pra quem quer viver em paz
Felizmente ainda a grande maioria
E que clamam por justiça todo dia
Consciente que violência não satisfaz
Esperam que a situação volte atrás
Pra se ter melhores dias no futuro
Mas o tempo passa e fica mais escuro
Políticos no governo roubam mais
Os malandros não recuam jamais
A sociedade é mais lixo de monturo.

Há quem diga “no passado era pior”
Que imperava o regime dos coronéis
Quem mandava eram os ímpios infiés
Um pensamento que posso me opor
Pois no passado não havia lei maior
Hoje acontece a força da legalidade
Os preceitos pra tutelar a sociedade
Entretanto toda maldade praticada
Sempre há como ser acobertada
Alimentando o filé da impunidade.