sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Carrada de algodão

Esta fotografia é a verdadeira bandeira de uma era. Só quem se criou no sertão do Seridó ou Cariri paraibano, tem mais de 40 anos de idade (é o meu caso!), plantou no seco, cultivou com arado puxado por boi manso, limpou mato com enxada, pisou ser ver em cima de buraco de formiga preta ou alemã (arre diabos!), apanhou algodão no meio do carrapicho e o carregou no lençol de se cobrir à noite pra dormir, pesou e ensacou o mesmo algodão mocó em saco de estopa, sabe o enorme simbolismo que ela traz!
Quem fez isso lembra-se que ainda bem que sempre tinha um potinho com água friinha debaixo de um juazeiro, estrategicamente colocado nas proximidades. As vezes ainda tinha um pedaço de rapadura... Dava-se uma suspirada, podia até dar um arrotinho ou soltar um... deixa para lá...
Não é, mas lembra o caminhão do meu saudoso Tio Dedeca, carregado de algodão, saindo lá do sítio São Roque e eu lá em cima, morrendo de contente porque ia pra “rua” de carro. Era assim mesmo, a gente chamava a cidade de “rua”, no caso Jardim do Seridó!
Foto:  CULTURA CARIRIZEIRA