quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Momento lírico 101

Ô MISERÊ...!
(Karl Fern)

Saudade é bichinha danada
Que esperneia dentro do peito
Deixa a cabra meio sem jeito
Querendo fazer o que num pode
Enquanto seu juízo se sacode
Deixando a cabeça abilolada.

A vontade mete a gente agoniada
Incana um farnizim da mulesta
Num tem cachaça, num tem festa
Pru mode essa infeliz se mandar
E o nego pode chegar a se lascar
Afundar numa roedêra infadada.

A peste dêxa os nervo atacado
Faz o cristão ficar mulambento
Pra baixo feito rabo de jumento
Aperriado do bucho e dos intestino
Se quêxa feito macambuso menino
Desinxabido e de banzo arriado.

Pense num miserê encardido!
Parece mandinga jogada na gente
Ela chega assim bem de repente
Num cabra que se dizia ser machão
Pensava ter aquilo roxo e, então,
Fica ferrado, imbruiado e desvalido.

Se se sabe que o má inda tem cura
A sua amada um dia pode vortar
Com certeza que até dá pra aturar.
Mais se o causo num tem solução
Meu Deus! Que será do cidadão?
Tenha dó dessa coitada criatura!