quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Momento lírico 93


O PASSAGEIRO
(Karl Fern)

Não nasci pra morrer muito cedo
Vim ao mundo pra ser como o vento
Livre e solto desde o meu nascimento
Não ser preso a um preposto enredo.
É difícil, algum tempo até tive medo
De ser infeliz e não ser livre de ciúmes
Condição de impasses e queixumes
Com prazos, limites ou dependências
Escravo de segredos ou confidências
Carente de apreço aos bons costumes.

Do divino ganhei minha inteligência
Pra aprender o que é certo ou errado
Não mentir e nem viver enganado
Portar-se com coragem e sapiência
Viver entre os limites da decência
Construir um passado sóbrio e puro
Nunca me orientar pelo obscuro
Não ser guiado como rebanho de gado
Que segue obediente e chicoteado
Aceitando o matadouro como futuro.

Se por acaso não for compreendido
Ou sentir ter minha opinião relegada
Simplesmente não vou revidar nada
Mas nunca me mostrarei arrependido
Nem me portarei como um vencido
Pois a alegria dos hoje vencedores
Amanhã pode ser choro de perdedores
Defenderei meus ideais e opiniões
Manterei minhas pessoais convicções
Do que virá só os céus são senhores.

Vestindo a vida, evitando dissabores
Entretendo-me e zelando a amizade
Colhendo o sentimento de liberdade
Curtindo na plenitude meus amores
Olvidando momentos de temores
Manducando as deliciosas sensações
No prazer das românticas emoções
As volúpias de um amor verdadeiro
Na intimidade da amada por inteiro
Vivendo na felicidade das canções.

Para os que de mim discordarem
Que me aceitem assim como sou
Numa cartilha diferente eu não vou
Sigam pelo caminho que acharem
Pelos corredores da vida a vagarem
Eu vou seguir com são os nuvueiros
Soltos no ar sombreando tabuleiros
Jogando água por onde forem chover
Fazendo o bem é que se deve viver
Pois da vida todos somos passageiros.

Foto: Sangria do Zangarelhas (2004)

Dúvida do amigo!

Que os leitores acham da dúvida do meu amigo Bira Viegas?

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Biografias de brasileiras - 08

Dionísia Gonçalves Pinto, a Nísia Floresta Brasileira Augusta (1810 - 1885)
Educadora, escritora feminista e poetisa brasileira nascida na zona rural de Papari, hoje Nísia Floresta, Estado do Rio Grande do Norte, a mais notável mulher da história desse estado nordestino. Filha do português Dionísio Gonçalves Pinto e da brasileira Antônia Clara Freire, foi batizada com um nome, mas ficou conhecida pelo pseudônimo onde Nísia e o final de seu nome de batismo e Floresta, o nome do sítio onde nasceu. Brasileira veio de sua necessidade de afirmação de quem viveu quase três décadas na Europa e Augusta de seu segundo marido, Manuel Augusto de Faria Rocha, com quem se casou (1828) e teve a filha Lívia Augusta.
Perdeu o pai, assassinado no Recife (1828), para onde a família havia se mudado, e no início da década seguinte, começou a publicar uma série de artigos sobre a condição feminina, em um jornal pernambucano, comparando-a com diversas culturas da Antiguidade. Dedicou-se ao magistério, combinando o tradicional ensino e trabalhos manuais com sólidos conhecimentos de português e de línguas estrangeiras, além de noções de geografia. Viúva, foi para o Rio Grande do Sul onde dirigiu um colégio para meninas.
Com o início da Guerra dos Farrapos mudou-se para o Rio de Janeiro, onde fundou e dirigiu os colégios Brasil e Augusto, notáveis pelo alto nível de ensino. Mudou-se para Paris (1849) e durante alguns meses (1851), o jornal carioca O Liberal publicou uma série de artigos de sua autoria, intitulados A emancipação da mulher, sobre a necessidade de se oferecer boa educação para as mulheres. Voltou ao Brasil (1872) e novamente partiu para a Europa (1875) de onde não mais saiu.
Nessa volta publicou Fragments d’un ouvrage inédit: Notes biographiques (1878) e faleceu em Rouen, na França, aos 75 anos, vítima de pneumonia. Foi enterrada no cemitério de Bonsecours até que (1954) seus despojos foram transladados pra o Rio Grande do Norte e levados para sua cidade natal, Papari, que já se chamava Nísia Floresta. Primeiramente foram depositados na igreja matriz, depois foram levados para um túmulo no sítio Floresta, onde ela nasceu.
Entre seus vários livros publicados estavam Conselhos à minha filha (1842), O Modelo das donzelas (1847), A lágrima de um Caeté (1849), Intineraire d’un voyage en Allemagne (1857), Scintille d’un’Anima Brasiliana (1859), Trois ans en Italie, Suivis d’un voyage en Grèce (1864), Woman (1865), Paris (1867) e Le Brésil (1871). Foram diversas publicações feito ao longo de seus 75 anos vividos de forma intensa, derrubando barreiras e perpetuando seus feitos.