sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Momento lírico 84

NÃO POSSO MAIS...
(Karl Fern)

Carne assada com capinha de gordura
Pingando macia e com aquele cheiro
Feijão macassa com graxa de torreiro
Com manteiga caseira ou nata pura
Borra da manteiga com rapadura
Ou com muito açúcar e bem salgada
Mexida pra ficar salobra e adocicada
Em alguidares de louças ou de metais
Já comi muito, hoje não posso mais
Pois a infeliz diabetes será reforçada.

A charque cozida no feijão mulatinho
Dava gosto levantar a tampa da panela
Ou que se fosse numa grande tigela
E de quebra uma “tora” de toucinho
Junto com quiabo, bem temperadinho
Com tutano do osso buco e farinha
Se pensa comer logo lá na cozinha
Mas a vontade tem de ficar pra trás
Já comi muito, hoje não posso mais
Pois a peste da pressão alta sai da linha.

Queijo de manteiga recém preparado
Com muito açúcar e café bem quente
É de fazer engolir a língua da gente
Rapa de queijo depois de engomado
Doce de leite daquele encaroçado
Coalhada adoçada com rapadura
Nada se compara a essa gostosura
Chouriço com castanha é bom demais
Já comi muito, hoje não posso mais
Pois o triglicéride vai me lascar, criatura!

Que me dizem de um prato de picado
Pinga com caldo e tripa de panelada
Pirão de mocotó mais outra lapada
É de empanzinar qualquer um cristão
Rejeto de carneiro num caldeirão
Num fogão a lenha se faz a fritura
É de se comer até sentir gastura
Infelizmente esses perigos são reais
Já comi muito, hoje não posso mais
Pois o safado colesterol é minha agrura!

E no São João que é data de festança
Numa arupemba se peneira o moído,
Triturado, ralado, pilado ou diluído,
Do milho ou da massa de mandioca
Pra o preparo do bolo ou da tapioca
Da canjica, pamonha, xerém ou mingau
Com uma panela de barro e colher de pau,
É de quebrar o bucho de qualquer rapaz
Já comi muito, hoje não posso mais
Pois uma azia sacana deixará tudo mau!

Sobre o sedentarismo

Fonte: FACEBOOK