domingo, 7 de outubro de 2012

Momento lírico 78

GOTA DE PRAZER
(Karl Fern)

Queria uma gota de seu amor somente
Um instante de plena liberdade qualquer
Pra sentir o calor do corpo dessa mulher
Invadir sua alma, seu desejo e sua mente
Era tudo que queria mesmo num repente
Colher o seu carinho assim como ele é.

Nos meus sonhos eu a veja escultural
Como aquela que se criou no Paraíso
Sonho ser tudo que quero e preciso
Fausto encanto e magna cobiça natural
Um semblante de deusa olímpica real
Sedutora com seu cativante sorriso.

Viver esse instante de suprema fantasia
Seria um evento de ledice fascinante
Inesquecível, adorável e emocionante
Momento eternizado de gáudio e alegria
Refrão compassivo da uma terna melodia
Delírio de êxtase surreal e rutilante.

Um domínio efêmero, mas envolvente
Sobre um corpo perfeito e magistral
Me sentiria o mais premiado mortal
Marcaria meu coração eternamente
Enobrecido por um sentimento expoente
Vencido nos caprichos do prazer total!

Momento lírico 77

A BELEZA TRISTE
(Karl Fern)

Para muitos o que é uma sinfonia
Para mim eu vejo com muita tristeza
Ouvi o canto de uma bela ave presa
Numa gaiola condenada à revelia
Lamentando com maviosa melodia
Ter um legado dado pela natureza
Canoro e com sua natural beleza
Tolhido em sua liberdade e alegria.

Restrito em um espaço de maldade
Suas asas inúteis, sem movimento
Sofrem com o tempo o atrofiamento
No que mais lhe permitiria liberdade
Apêndices que lhe dariam capacidade
Numa gaiola se tornam sem sentido
E como um prêmio pra o objeto exibido
Botam painço como maná da piedade.
     
Por que o que é belo na natureza
Precisa se ter como objeto particular?
Uma vida que estaria em todo lugar
Torna-se escrava por pura avareza
Presunção de tamanha malvadeza!
E alguém que acha ter esse direito
Supõe que seu “preso” tá satisfeito
E canta pra agradecer sua “riqueza”.

Também tenho um viver entristecido
Uma vida de lamentos e frustração
Desolado com meu aflito coração
Cogitar uma alegria não tem sentido
Sei que ela me quer e não tem podido
Como se também fosse presa numa gaiola
Sob caprichos de outro que a controla
Sem um pingo de amor lhe oferecido!