domingo, 29 de julho de 2012

A Peste Negra: II – O misticismo

A punição divina à maldade humana parecia, no século XIV, ser a única explicação para uma série de golpes devastadores sob os quais o mundo inteiro tremeu. Pelas adversidades do clima, as colheitas fracassavam periodicamente e as comunidades superpovoadas sofriam fome e doenças. O pior estava por vir. A maior onda de mortalidade que jamais varreu o mundo: a Peste Negra.
A forma pneumônica atacava os pulmões e a septicêmica infectava a corrente sanguínea. A peste bubônica, a terceira e a mais comum, derivava seu nome das tumefações do tamanho de um ovo, conhecidas como bubos ou bubões, que apareciam no pescoço, nas axilas e nas virilhas do doente nos primeiros estágios do mal. Depois vinham a febre alta e o delírio. Os de constituição mais forte poderiam sobreviver o suficiente para experimentar a dor lascinante da ruptura dos bubos. Em geral a morte era o único alívio para a dor.
            Os sábios colocaram a culpa da infecção no movimento dos planetas, na putrefação do ar pelos cadáveres, ou no contato com corpos ou roupas infectadas. Chegou-se a sugerir que o mero olhar de um doente era fatal. Os verdadeiros culpados, os ratos que infestavam a maioria das casas da época e cujas pulgas estavam contaminadas com a bactéria da peste, só seriam identificados muitos séculos depois.
O ar era opressivo e cheio do fedor de decomposição, doença e remédios. Os doutores receitavam poções de ervas e outros ingredientes e a ruptura dos bubos. Os padres ofereciam conforto espiritual: a confissão, acreditava-se, garantiria pelo menos uma vida do além-túmulo livre de tormento.
Muito mais eficazes foram as medidas preventivas tomadas por algumas poucas, mas decididas comunidades. Os despóticos governantes de Milão muravam as casas ao primeiro sinal de infecção, aprisionando doentes e sãos. Na Alemanha, Nuremberg instituiu rigoroso programa de saúde pública, que incluía pavimentação e limpeza das ruas e a remoção dos dejetos. A higiene pessoal – para muitos, um conceito totalmente novo - foi estimulada e alguns trabalhadores recebiam até dinheiro para o banho como parte do salário. Em consequência desses esforços, Milão e Nuremberg tiveram possivelmente as mais baixas taxas de mortalidade de todas as principais cidades europeias.
Fonte: Vários autores - “História em Revista”, Abril Livros Ltda, Rio de Janeiro, 1993.

A Peste Negra: I - História e números

Do Extremo Oriente veio um mal de virulência sem precedentes que, entre 1346 e 1352, arrastou pelo menos um terço da população europeia. A maior onda de mortalidade que jamais varreu o mundo ficou conhecida como Peste Negra.
A doença atacava de três formas, todas causadas pela bactéria Pausteurella pestis. Transmitida pelas pulgas contaminadas com a bactéria da peste associadas aos ratos que infestavam a maioria das casas da época, mas isso só seria descoberto muitos séculos depois. Quando os ratos morreram e a população de roedores declinou, as pulgas se voltaram para o sangue quente dos humanos.
O mecanismo terrível da peste parece ter sido posto em movimento no deserto de Gobi, na Mongólia. No final da década de 1320, ali irrompeu uma epidemia entre os roedores e fez suas primeiras vítimas entre os cavaleiros nômades mongóis, que espalharam a doença por todo seu extenso império. As rotas comerciais  do Caminho da Seda, pelo qual seda e peles iam da China para oeste, expuseram toda a Ásia central à doença; em 1345, Astracan, as margens do rio Volga, e Caffa, junto ao Mar Negro, já tinham sucumbido às pulgas infectadas que saltavam de carregamentos de peles. O mar Negro marcava o fim das rotas comerciais terrestres que vinham da China e o começo das marítimas que levavam à Europa.
No final de 1347, os ratos que infestavam os porões dos navios mercantes italianos já tinham levado a pestilência para os portos do Mediterrâneo, de onde alcançou rapidamente a costa atlântica da França. A Inglaterra pagou caro pela importação de vinhos: dentro de um ano, a Peste Negra chegou inadvertidamente junto com o clarete, um típico vinho da região de Bordeaux. Em 1352, já se espalhava para a Escadinávia, Alemanha, Polônia e, por fim, chegou â Rússia. Quatro anos após sua entrada na Europa, a Peste Negra ceifara mais de 20 milhões de vidas.
Fonte: Vários autores - “História em Revista”, Abril Livros Ltda, Rio de Janeiro, 1993.

O dogma da Imaculada Conceição

O dia 8 de dezembro é marcado por duas celebrações cristãs de significados distintos (quase antagônicos), que se confundem devido à semelhança das suas designações. A evocação popular, tradicional, celebra a Nossa Senhora da Conceição (ou Concepção), isto é, celebra o arquétipo da Maternidade. Conhecem-se desde o século VII, nomeadamente na Península Ibérica, festas com esta evocação. Até há poucos anos era nesta data, e não no segundo domingo de Maio, que se celebrava o “Dia das Mães”.
No Brasil é Padroeira paroquial em várias cidades brasileiras, sendo o dia da Imaculada Conceição feriado municipal, entre elas, Campina Grande/PB e Jardim do Seridó/RN e em muitos países como Portugal, este dia é também feriado nacional. Nossa Senhora da Conceição é a rainha e padroeira de Portugal desde a Dinastia de Bragança.
O conceito teológico oficial é o do dogma da Imaculada Conceição de Maria, definido em 1854 pelo papa Pio IX (1792-1878), Papa da igreja católica romana (1846-1878) nascido em Senigallia, Ancona, cujas ações mais marcantes no seu pontificado para a história do catolicismo, além da proclamação desse dogma, foi condenar a ideologia liberal na encíclica Quanta cura (1864), ao mesmo tempo em que a autoridade do papa era declarada sobre toda a Igreja, e convocar o Concílio Vaticano I (1869), que estabeleceu o dogma da infalibilidade papal (1870).  Este dogma nada tem a ver com o conceito popular: afirma que Maria, mãe de Jesus, teria também sido gerada sem cópula carnal de seus pais (Ana e Joaquim); celebra, por isso, a castidade. Esta ideia começou a surgir no século XII, tendo causado intensa polémica e sido rejeitada por importantes teólogos, incluindo São Bernardo e São Tomás de Aquino, e condenada pelo papa Bento XIV em 1677, até ter sido aceite como dogma em 1854.
O dogma da Imaculada Conceição não é aceito pelas Igreja Ortodoxa. A Igreja Ortodoxa acredita que Maria foi uma pessoa muito devotada a Deus e que levou uma vida santa, como dizia os pais da Igreja, evitando os pecados atuais. As Igrejas Anglicanas possuem a mesma doutrina das Igrejas Ortodoxas. A Igreja Luterana e as Igrejas Reformadas também não aceitam esta doutrina católica romana devido a diferentes interpretações do fundamento bíblico.
A pureza de Maria também é afirmada no Islã, onde por incrível que pareça para os cristãos, sua hagiografia é muito mais relevante e mais extensa. Alguns dos títulos marianos no Islã realçam este fato.