domingo, 8 de julho de 2012

Momento lírico 45


NORDESTINÊS ANTIGO
(Karl Fern)

Na minha antiga vida rural, ainda menino
Aprendi um nordestinês próprio, bem bacana
Não é que se falasse correto, nem o fino
Muito menos um linguajar chulo ou sacana,
Ouvia-se e conversava-se e de parco ensino
Uma curiosa e singela linguagem cotidiana.

Bolacha do joelho, espinhaço, pá e cangote
Beiço, bucho quebrado, mucumbu e vão
Rasgava-se molambo e turma era magote
Vestia-se ceroula e cueca samba-canção
Faca viana, trinchete, suvela e cravinote
Ocorriam bilora, baque, topada e trupicão.

“Caba” frechado, ruim da bola, dava pinote
Desmaio era troço, passamento ou turica.
Retirar pedaço era arrancar o chaboque
Tique nervoso dizia-se mono ou mussica
Havia arranca-rabo com bufete e cocorote,
Muito tabefe, “tapa oi”, rasteira e futrica.

Qualquer objeto particular era um terém
Piquai, troço, recurso, miussaia ou possuído
Qualquer moeda era nara, prata ou vintém
Um sujeito pobre e velho era carcomido
Dito Papangu de Novena ou um Zé Ninguém
Se sortudo fosse era chamado de parido.

Cabaré era gango, lugar daquelas perdidas
Local dos amores de homens amancebados
Morada de quengas, ditas mulheres das vidas
Que aliviavam cabras safados ou precisados
Quando tinham filhos eram putas paridas
Que botavam no mundo alguns amaldiçoados.

Criancinhas tinham piu ou então piroca
Mulher buchuda esperava ter mais um fiote.
Bola de couro era capotão e de gude biloca,
Tinha marmota, espírito de porco e molecote,
Falso, invenção e malfazejo, que hoje é fofoca
E no mato tinha aceiro, tabuleiro e catingote.

O vocabulário era meio esquisito e imenso
Mas pra num deixar você leitor abilolado
Vou parando pra não parecer muito extenso
Sem “infado”, lorota, rabissaca ou carquiado
Depois do moca volto outro dia, eu cá penso”
Com mais cavilações em um novo curruchiado!

Curiosidades sobre Jardim do Seridó - RN

Tem coisas que só existem ou existiram em minha cidade, Jardim do Seridó - RN. Leia aqui algumas desss curiosidades!
• Uma escola RURAL bem no meio da cidade;
• Uma ponte que só passa pedestres e os carros têm que atravessar pelo meio do rio;
• Uma outra ponte que nem pedestres passam;
• Gente com nome de bicho: Bicho Velho, João Galinha, Galinha Torrada, Zé Ovelha, Tico, uma família de Caborés, outra de Pebas etc;
• O seu bairro mais carente se chama Baixa da Beleza;
• Um bairro com o nome de Alto-Baixo (isso mesmo: um alto-baixo!);
• Um bairro com o nome de santo (São Sebastião) onde estão todas as igrejas evangélicas e nenhuma católica;
• Um cemitério onde nunca se enterrou ninguém e depois virou um conjunto de casas populares;
• Uma Praça esburacada e o calçamento ao lado com piso muito bem cimentado;
• Um banco na Praça exclusivo da velha-guarda e chamado de Banco do Pau Mole;
• Um Campo Florestal sem ter nada de floresta, só capim e esgoto a céu aberto;
• Um grande açude com nome de poço (Zangarelhas = O Poço Doce);
• Uma contra-mão que se usa muito mais para passar na ... contra-mão;
• Uma mendinga que fala inglês!;
• Uma lista telefônica só com apelidos;
• Um cara com o apelido de “Casca de Peido”! (O que é isso??!!);
• Um cara com 2,11m que chamavam de ANÃO (Pasmem!) (Infelizmente de saudosa memória!);
• Onde durante o período chuvoso temos “chuva pra cima” e “chuva pra baixo”.