quinta-feira, 19 de abril de 2012

Momento lírico 11

              
              SOLIDÃO E ESPERANÇA
          (Karl Fern)

Nos vastos campos da mente
O amante seguia perdido
A procura de algo ausente
Da sua manhã sem sentido
De pensamento latente
No seu amor incontido.

Mel dos melhores desejos
Chama de enorme paixão
Forma de muitos ensejos
Pra’s urgências do coração
Lembranças como lampejos
Lhe vinham com emoção.

O tempo corria insinuante
Naquela solitária clausura
E uma saudade inquietante
Instigava-lhe certa doçura
Moldando em seu semblante
Traços de sossego e ternura

Um filme de luz surgiu
Pela fresta de uma janela
Apaixonado o poeta viu
Como uma bela aquarela
Uma imagem qu’ele curtiu
Como se fosse o rosto dela.
Dos blocos do piso polidos
Alvos de réstias brilhantes
Os raios de sol refletidos
Criando sombras flutuantes
Na poeira de clarões tremidos
Vislumbrou cenas mutantes.

Seus pensamentos fluiam
Naquele ambiente silente
Seus olhos até sorriam
No descontrole da mente
Delírios casuais venciam
Sua ansiedade dolente.

Com sua saudade contida
De seu medo sossegado
Refez a paciência perdida
Apoteótico e bem humorado
Pensou: ela é minha vida
Sempre serei muito amado.

Nas tristezas da saudade
Na penumbra iluminada,
Percebeu não muito tarde
Com a alma encorajada
Confiaria pela eternidade
Ter o amor de sua amada.